A revolução do 3D

Giovana Romani - Impresso

Softwares de modelagem de última geração e impressoras de peças tridimensionais prometem transformar o setor

Campanha da grife Iris Van Herpen, que cria roupas digitalmente

Campanha da grife Iris Van Herpen, que cria roupas digitalmente Foto:

Fundada em 1946, a maison francesa Dior é conhecida por suas roupas femininas e fortes, com tecidos de alta qualidade, acabamentos perfeitos e modelagens impecáveis. A herança tradicional não se perdeu ao longo dos anos - nem com a chegada três anos atrás de um estilista moderno, Raf Simons, nem com a adoção de uma nova tecnologia para a confecção das roupas.

Recentemente, a marca passou a usar um software de modelagem 3D para aperfeiçoar a produção. "A princípio, achei que as modelistas que estavam lá há tempos não gostariam da novidade", conta Philippe Ribera, diretor de marketing da área de softwares da empresa francesa Lectra, responsável pela implantação do sistema. "Mas estava errado. Elas ficaram felizes, pois finalmente tiveram seu trabalho compreendido." O 3D cria uma linguagem comum e facilita a comunicação entre os membros da cadeia - do fornecedor ao diretor-geral, passando pelo coordenador de produção. "Trata-se da tecnologia mais transformadora para a indústria da moda hoje", acredita Daniel Harari, CEO da Lectra. "O 3D permite uma melhor engenharia do produto. Ao criar menos protótipos, economiza-se recursos e tempo e a peça ganha em valor."

Impressão. A difusão do recurso, no entanto, deve ocorrer a longo prazo, sobretudo no Brasil. Assim como a entrada efetiva no mercado das impressoras 3D, capazes de produzir elementos tridimensionais em poucas horas. Para o futuro, sonha-se com o dia em que será possível obter um molde e imprimir a roupa em casa. Mas não ainda. "Hoje a impressora funciona para produzir acessórios, como bijuterias e sapatos, que são feitos de materiais mais rígidos, a exemplo do plástico", explica Denivaldo Pereira Leite, professor de design digital da Faculdade Belas Artes, em São Paulo, que mantém um laboratório de criação e impressão 3D.

Na Ásia, o equipamento já é usado na criação de calçados com base em imagem de scanner do pé do cliente. Na Europa, a estilista holandesa Iris Van Herpen vem explorando a tridimensionalidade nas coleções que apresenta na Semana de Moda de Paris. Alguns de seus vestidos são criados digitalmente em parceria com um professor de arquitetura canadense, enquanto os sapatos são impressos em 3D com partículas de cristal e couro cortado a laser.