A Moda e a Cidade: Juliana de Faria

Helena Tarozzo - O Estado de S.Paulo

A jornalista e ativista fala sobre a relação da moda com a mulher na cidade em São Paulo

Juliana de Faria, responsável pelo think tank "Think Olga" e pela campanha "Chega de Fiu Fiu"

Juliana de Faria, responsável pelo think tank "Think Olga" e pela campanha "Chega de Fiu Fiu" Foto: Divulgação

Idealizadora do blog “Think Olga” e da campanha “Chega de Fiu Fiu”, que luta contra o assédio sexual de mulheres em lugares públicos, a jornalista Juliana de Faria abraçou causas feministas e vem levantando questões pouco discutidas hoje no Brasil. Isso inclui moda, claro. Mais precisamente, a antropologia da moda, e como as mulheres se vestem - ou gostariam de se vestir nas ruas livremente. Além disso ela acaba de lançar no Catarse, uma plataforma de crowdfunding para arrecadar fundos, o documentário “Chega de Fiu Fiu”, no qual ela pretende viajar o Brasil, mapeando cidades e contando histórias de mulheres que já sofreram abusos. Nesse “A Moda e a Cidade”, Juliana fala sobre como a moda é um meio de expressão e como ela pode refletir a independência que a mulher possui sobre seu próprio corpo.

Como você acha que a moda reflete a liberdade que as mulheres sentem de andar nas ruas?

Acho que a moda sempre foi revolucionária, principalmente se falamos da minissaia, que veio junto com a revolução sexual, dando fim aos espartilhos e deixando as mulheres serem donas de seu próprio corpo. Mas a sociedade não entendeu até agora que a mulher quer se vestir talvez um pouco mais sexy para si mesma e não por que quer ser olhada e levar cantada na rua. Ou por que está com calor e quer por um vestido no lugar de uma calça. O que é complicado. É a mentalidade que tem que mudar e a moda pode ajudar nisso. 

E você acha que a campanha “Chega de Fiu Fiu” fez com que as mulheres mudassem a forma de se vestir?

Sim, muito. Já recebi comentário e depoimento de leitoras do site que não conseguiam usar uma saia ou até mesmo passar batom vermelho para andar no transporte público por que achavam que isso ia chamar atenção demais. Mas hoje já estão mais seguras e sustentam as suas escolhas.

Você morou em Berlim durante um ano e meio e faz quase um ano que está de volta a São Paulo. Acha que moda das mulheres mudou nesse tempo?

Senti que a moda se tornou mais prática, mais desencanada. Com mulheres usando mais tênis, sem sentir a obrigação de estarem impecáveis o tempo todo ou então sofrendo para andar de salto para cima e para baixo. E outra coisa é que tem muito mais bicicleta na rua e com isso o estilo das pessoas muda também. Existe até uma marca de roupa que se chama Velô, que cria roupas de esporte mas com mais cara de escritório, que é ótimo para se usar aqui.

Você gosta de moda e se veste bem, tem alguma loja favorita em São Paulo?

Gosto muito das coisas da Flavia Aranha, que tem um ateliê na Vila Madalena, e é uma estilista que se preocupa com a roupa que faz desde o fio à tinta para dar cor ao tecido. São roupas contemporâneas e frescas que combinam com São Paulo. Ultimamente tenho procurado comprar coisas e saber a procedência, saber quem fez a peça que estou usando.

E de sapatos?

Adoro os da Luisa Perea, também na Vila Madalena, que também tem essa pegada mais artesanal, mas muito moderna.