A moda da vez: ostentação x minimalismo

Júlia Tibério - O Estado de S.Paulo

Looks mais ou menos estão proibidos. Agora é tudo ou (quase) nada

A mulher brasileira amou o movimento, já que é exuberante por natureza e, em geral, gosta de se enfeitar

A mulher brasileira amou o movimento, já que é exuberante por natureza e, em geral, gosta de se enfeitar Foto: Reprodução

A moda é cíclica e, no momento, ela caminha em duas direções opostas. Ou você se veste de forma superlativa, com o máximo de adorno e ostentação, ou faz a linha minimalista. Por ostentação, leia-se peças cheias de bordados, recortes, cores fortes e estampas. Do lado oposto, atenção, não estão o jeans e a camiseta. Mas alfaiataria impecável, tecidos tecnológicos e cores neutras.

“Acho que vivemos uma época de transição, há uns dois anos a moda é cheia de excessos, num estilo meio Anna Dello Russo de ser. Muitas cores, sobreposições, mistura de texturas, bordados...”, afirma Luigi Torre, editor de moda da revista Harper’s Bazaar Brasil. As coleções de Dolce & Gabbana e Valentino viraram prato cheio para as fashionistas, repletas de pedraria, veludo, franjas e dourado. Nem precisamos dizer que a mulher brasileira amou o movimento, já que é exuberante por natureza e, em geral, gosta de se enfeitar.

Em maio deste ano, o estilista francês Nicolas Ghesquière escolheu a Place du Palais, em Mônaco, para apresentar a linha resort 2015 da Louis Vuitton (quer ostentação maior?), e inaugurou um novo tipo de maximalismo, meio inspirado na década de 1960 e cheio de cores, estampas, assimetrias e babados.  Costanza Pascolato, em seu Instagram, disse que as peças têm uma exuberância rara e apostou na bota gladiadora como futuro blockbuster. O modelo vai até a altura dos joelhos, tem estampa tribal e tiras listradas em preto e branco. No meio de tantos acontecimentos alguns looks mais suaves quase passaram despercebidos, um erro. Terninhos com referência militar em tons pastel indicavam o começo de um novo momento da moda, que segue o velho lema do "menos é mais".

Também na coleção de resort 2015, a marca francesa Lanvin deixou de lado o lamê dourado, clássico de seu DNA sexy e maximalista, para apostar em peças de alfaiataria, com modelagens simples, listras ou laços. “Estamos chegando num ponto em que as pessoas e as grifes começam a se cansar dos excessos de sempre e passam a dar espaço para a moda mais limpa, mais clean”, diz Luigi.

As surpresas desse minimalista são ora os recortes assimétricos ora as referências militares ou esportivas. A assimetria é, não por acaso, o ponto em comum que faz a transição atual da ostentação para o chamado "sweet nothing". Ela é o que dá a graça ao novo minimalismo. É também um jeito de deixar a coisa toda mais feminina e sexy. Invista em cores pastel, no cáqui e no vinho, os tons são outra maneira de dar um up no visual e de tirar os looks básicos do momento da mesmice.