A geração yuccie

Jorge Grimberg - O Estado de S.Paulo

Novo termo define os jovens criativos urbanos que usam o poder das redes sociais para fazer a diferença - e lucrar

Depois dos hispsters: os yuccies unem criatividade e senso de oportunidade

Depois dos hispsters: os yuccies unem criatividade e senso de oportunidade Foto: Reprodução/Instagram

Apresentado pelo escritor David Infante no site Mashable, no último dia 10, o termo yuccie define uma geração de jovens criativos urbanos (young urban creatives), segundo Infante, "uma fatia de Geração Y, nascida do conforto, doutrinados com o poder transcendente da educação, e infectados pela convicção de que não só merecemos perseguir os nossos sonhos, mas devemos lucrar com eles."

Yuppies, millennials, hipsters... Não é de hoje que a publicidade americana busca nomes para identificar comportamentos recorrentes e definir uma fatia do mercado jovem. Os yuccies, no caso, surgem para substituir os hipsters, a turma contemporânea e moderninha, nascida entre 1980 e 2000, que vive em grandes cidades do mundo. O movimento, que iniciou como uma contra-cultura - com barbas, tatuagens e bandas indies -, acabou atingindo o mainstream e entediando os formadores de opinião, que logo começam a buscar novos propósitos para suas existências. Afinal, agora os hipsters estão por toda a parte. 

Os yuccies são menos modernos, mas mais empreendedores. Trata-se geração que está transformando a vida em redes sociais em moeda corrente: jovens adultos que perceberam o poder dos milhões de cliques e começaram a mudar a lógica dos orçamentos publicitários - antes destinados às revistas, televisão e rádio. Atualmente, grandes empresas investem em projetos que envolvem experiências reais reportadas no Instagram com hashtags patrocinadas. Isso porque essa geração facilita a entrada das marcas não apenas nas grandes capitais, mas também em cidades menores, por meio de blogueiros e influenciadores digitais que promovem lançamentos regionais. 

Entre os yuccies, há um eterno questionamento existencial sobre o uso e o valor da própria criatividade. Em um momento em que mídias consagradas desaparecem e novos formatos crescem em alta velocidade, esses jovens podem ser capazes de transformar a maneira de apresentar a informação. E sem deixar de lado as ambições pessoais, a busca por um trabalho que tenha um significado maior e que ainda consiga se encaixar nos desejos dos patrocinadores de se comunicar com consumidores que vêm adotando novos hábitos. 

Neste contexto, o ponto crítico é a definição dos papéis. Alguns poucos jovens, que apresentaram um desenvolvimento e crescimento de audiência orgânico na internet, como blogueiros e aficionados por selfies, acabam servindo como os rostos-âncora desse momento de transformação da sociedade. Por trás das personalidades da web, há uma série de profissionais multi-tarefa: empresários, fotógrafos, diretores de arte, videomakers, relações públicas, stylists, maquiadores, jornalistas e, muitas vezes, um pouco de tudo junto, o que os torna capazes de criar imagens e vídeos que demandam alto investimento. 

Pelo fato de o conceito ser muito recente, os yuccies ainda não têm uma cara e, honestamente, não acredito que esse nome vai pegar como o termo hipster pegou. Mas uma coisa é certa: esses jovens estão nas capitais do país trabalhando de maneira independente ou dentro de novas agências e vão lutar para ter suas ideias valorizadas e conquistar um estilo de vida novo através delas.