A falta de padrão na moda brasileira

Mariana Belley - O Estado de S.Paulo

Para o presidente da Abravest, a aplicação da padronização nos tamanhos do vestuário depende só do consumidor

A falta de padronização na numeração do vestuário é um problema que assola o Brasil há mais de 15 anos, segundo Roberto Chadad, presidente da Abravest

A falta de padronização na numeração do vestuário é um problema que assola o Brasil há mais de 15 anos, segundo Roberto Chadad, presidente da Abravest Foto: Felipe Rau/Estadão

Se você gosta de comprar roupas, certamente já passou pela seguinte situação: você prova uma calça número 40. Ela serve. Quando vai a uma outra loja, a mesma numeração não fica legal e você precisa optar por outro tamanho. Ou, então, se você costuma garimpar roupas pela internet já deve ter comprado uma peça em um tamanho que costuma ser o seu e não servir. A falta de padronização na numeração do vestuário é um problema que assola o Brasil há mais de 15 anos, segundo Roberto Chadad, presidente da Abravest (Associação Brasileira do Vestuário).

De acordo com Chadad, a compra do importado barato vindo da China, por exemplo, é o grande vilão da falta de padronização. "Começamos a perceber que estão entrando no Brasil roupas fora da norma NBR 13377." Essa norma foi estipulada pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) em 1995 e traz as medidas do corpo humano para vestuário. A norma foi cancelada devido à diferente complexidade técnica entre as modas masculina, feminina e infantil.

Como solução criou-se, então, um comitê, junto com a ABNT, composto por indústrias, modelistas, varejo, além de 7 mil empresas . "Dessa reunião, conseguimos padronizar, em janeiro de 2009, meias (NBT 15525), roupas infantis (NBR 15800) e, em janeiro de 2012, o vestuário masculino, dividido em três segmentos: normal, atlético e especial (plus size) (NBR 16060). Para o feminino, a previsão é que as medidas padronizadas sejam revistas e concluídas até o final do ano", explica Chadad.

Maria Adelia Pereira, superintendente do comitê de têxtil e vestuário da ABNT, defende que o mais importante é a indicação da vestibilidade. "Na parte principal das normas há a indicação da forma de colocação na etiqueta das informações sobre para quais medidas de corpo aquela roupa foi projetada. É possível ver essa indicação em alguns sites de compra de roupas, como  exemplo o site da DeMillus."

No e-commerce, Chadad acredita que a informação das medidas das peças ainda não é uma realidade porque a padronização do feminino, que representa 60% das compras pela internet, não está pronta. "Mas para o masculino, as fábricas já sabem que o consumidor a qualquer momento vai começar a exigir a padronização." A aplicação das normas de medida não são obrigatórias, por isso, Chadad acredita que a aplicação delas em sites dependerá apenas do consumidor: "Ele precisa começar a exigir o padrão."

O consultor de produtos Thiago Oliveira, 28, opta por fazer compras de roupas pela internet pela falta de tempo e diz sentir falta da padronização de tamanhos."Acho importante existir essas informações porque os tamanhos variam de marca para marca. Sem a padronização você não consegue saber qual tamanho escolher."

Nos Estados Unidos, por exemplo, a realidade é outra. Maria Adelia explica: "Existe fidelidade de medidas dentro das marcas, isto é, se pego numa marca um tamanho S, posso pegar nessa mesma loja uma camiseta de modelo baby look ou uma camisa tamanho S que todas terão as mesma medidas do small, o que infelizmente não ocorre no Brasil. Muitas vezes, num mesmo magazine ou marca temos um tamanho 42 de calça que serve, mas o 42 de saia não serve." Adelia aponta ainda para eventuais problemas de saúde que a confusão de tamanhos pode trazer. "Há diversos efeitos colaterais, incluindo os psicológicos, quando uma pessoa acostumada em comprar tamanho M entra em uma determinada loja e só consegue se vestir com peças de tamanho G. Muitas pessoas poderão ficar de regime ou se alimentar erroneamente para voltar ao tamanho M, mas é uma indicação da marca e não o tamanho de seu corpo. Se tivesse indicado na etiqueta: serve para busto de 100 cm, seja indicado como M ou G não importa, o que manda é 100 cm."

Quanto aos benefícios da padronização, Maria Adelia é prática "as marcas ganhariam mais vendas, reduziriam trocas e facilitariam a vida dos consumidores."

PODE TROCAR?

Como funciona a política de troca dos principais e-commerces do país.

Farfetch:

- O prazo para realizar sua devolução é de 10 dias corridos após o recebimento da encomenda, independente do motivo, seja arrependimento, desistência, produto com defeito, tamanho, insatisfação ou qualquer outra razão

- Todos os itens deverão ser devolvidos em sua embalagem original, com suas etiquetas e lacres intactos. Todos os acessórios deverão ser enviados com o produto;

- Não aceitamos devoluções de produtos que tenham sido usados ou danificados;

- Não são aceitas devoluções de meias, uma vez que a embalagem tenha sido aberta;- Você poderá escolher a forma de restituição do valor pago pela mercadoria, que poderá ser em créditos para uma nova compra no site ou na mesma forma de pagamento escolhida no processo da compra. 

OQ Vestir:

- Todos os produtos podem ser trocados, inclusive peças compradas em liquidação;

- A peça deve estar com as etiquetas e lacres da OQVESTIR e do fabricante intactas;

- A embalagem original não pode estar danificada. Exemplo de embalagens: Caixas de sapato, saquinhos de bijuteria, embalagens plásticas e adesivos higiênicos de maiôs e biquínis;

- A peça não pode ter sido lavada nem usada, deve estar sem odores nem manchas e sem alterações feitas pelo cliente (ex.: ajuste de bainha, etc.);

- Os sapatos devem estar sem ranhuras na sola e sem aspecto de uso;

- A peça deve ser enviada de volta à OQVestir com a nota fiscal (DANFE) ou cópia.

Net a porter

- Solicite uma autorização de Devoluções de Mercadorias e envie o seu item(s) para nós dentro de 28 dias depois de receber o seu pedido.

- Os itens devem ser devolvidos novo, sem uso, e com a etiqueta das marcas ainda na peça. As peças danificadas, sujas ou alteradas não podem ser aceitos e podem ser enviados de volta para o cliente.

- Não há nenhum custo para a troca de itens para um tamanho diferente, no entanto, todas as trocas são baseadas na disponibilidade dos produtos no estoque.

Olook

- Produto deve estar sem uso e com todos os acessórios, brindes, etiquetas e lacres;

- Na embalagem original, não danificada (caixa do sapato, saquinhos de bijuterias, etc);

- Com a nota fiscal (DANFE) ou cópia;

- Não será aceito troca ou devolução de peça íntima, para preservação da saúde de nossas clientes (salvo em caso de defeito).

- A troca pode ser realizada pelo mesmo produto, variando a cor e numeração, desde que disponível no site;

- A troca pode ser realizada por outro produto de igual valor pago e que este esteja disponível no site;

- A troca por produto de valor diferente ao pago, será oferecido um vale crédito no valor pago para cliente efetuar uma nova compra;

Gallerist

- Nos procedimentos de troca ou devolução de produto, a Central de Atendimento ao Cliente deve ser previamente contatada

- Os produtos deverão apresentar as etiquetas e lacres do fabricante;

- Os produtos devem estar em sua embalagem original, acompanhado de manual e todos os seus acessórios

- Os produtos não podem ter sido lavados e/ou apresentarem indícios de uso, como, por exemplo, odores, manchas, ranhuras e ajustes de costuraria.

- Todos os produtos recebidos serão submetidos a uma avaliação, com o objetivo de averiguar se a devolução preenche os requisitos estipulados