A estilista das famosas

Júlia Tibério - O Estado de S.Paulo

Os vestidos de festa de Lethicia Bronstein são usados por Sabrina Sato, Izabel Goulart, Marina Ruy Barbosa, Giovanna Ewbank, Taís Araújo, entre outras celebridades

Vestidos de Lethicia Bronstein são usados por celebridades como Sabrina Sato e pela modelo Izabel Goulart

Vestidos de Lethicia Bronstein são usados por celebridades como Sabrina Sato e pela modelo Izabel Goulart Foto: Divulgação

Queridinha das celebridades com um quê de it-girl e quase unanimidade em festas de novela da TV Globo, Lethicia já tem um nome para lá de consolidado no mundo dos vestidos de festa, red carpets brasileiros e noivas. A carioca de 33 anos dá agora um passo rumo a uma nova investida na carreira: roupas descontraídas para ocasiões menos formais. “Tenho essa ideia há um tempo, pois recebo muitos pedidos de multimarcas e gente de fora de São Paulo e do Rio que gostaria de atender”, afirma. 

Os modelos que ela gosta de dizer que são mais cool, ainda atendem o mesmo público. “Acredito que a mulher que usa Lethicia continua sendo a mesma, mas agora ela vai vestir minha roupa em outra ocasião”, diz. E por outra ocasião entenda uma viagem a Saint Tropez ou qualquer outro balneário chique no mediterrâneo. A coleção traz peças ricas e trabalhadas, que são a cara da marca, mas em shapes desconstruídos. Conjuntos também aparecem de monte: “Criei pensando que a mulher pode desmembrá-los depois. Ela usa o conjunto num jantar importante ou o pull bordado com short jeans e rasteira numa festa mais relax”, diz. A proposta é ter peças que funcionem em várias ocasiões e sejam um pouco mais fáceis de usar do que os vestidos de festa. Os preços também caem um pouco. Enquanto o dos vestidos fica em torno de sete mil reais, a coleção resort tem peças a partir de mil. “Também acredito que é uma chance para pessoas que sonham em ter uma coisa da minha marca”, afirma. 

A nova coleção continuará a ser comercializada somente no seu atelier em São Paulo, mas servirá como teste para uma segunda linha com o seu nome. “Penso muito nessa possibilidade, mas primeiro quero ter certeza de que as peças tem aceitação e de que venderão. O mundo da moda é muito ingrato, um passo em falso pode quebrar a empresa ou te deixar no vermelho por muito tempo”, diz. 

Lethicia entende bem disso já que acompanhou de perto o declínio da carioca Maria Bonita, que fechou as portas no começo deste ano. Além de a grife ser de duas tias suas, foi seu primeiro trabalho: “Cheguei lá estagiária e fiquei por quatro anos. Aprendi muita coisa na Maria Bonita, apesar de sempre saber que o meu negócio era outro”, conta. Depois de lá, trabalhou em duas outras marcas do Rio que não existem mais e na Le Lis Blanc, dessa vez já em São Paulo, onde mora e mantém o escritório e a produção. Foi nessa época que começou a se arriscar na carreira solo. “Uma amiga, bem maluca, diga-se de passagem, (risos), ia se casar e pediu para que eu desenhasse o vestido. Eu disse que só faria se pudesse cuidar de todo o processo: desenho, modelagem, bordado... e ela topou!”, lembra.  

Na foto acima, os modelos da nova coleção resort. Destaque para a minissaia combinada com moleton, supercool

Na foto acima, os modelos da nova coleção resort. Destaque para a minissaia combinada com moleton, supercool Foto: EVELSON DE FREITAS/ESTADÃO

Depois disso veio o seu próprio casamento, como um modelo criado por ela, e aí não parou mais. “Dei sorte que tudo aconteceu bem na época em que eu e minhas amigas estávamos nos casando. Ela conta que em um ano fez mais ou menos 50 vestidos de noiva e tudo isso nos finais de semana no Rio de Janeiro, quando estava de folga da Le Lis Blanc.

Depois de viver o ano na ponte aérea, Lethicia viu que era hora de abrir sua própria grife. Encontrou um pequeno espaço na rua Oscar Freire e começou a produzir e pensar em coleções. Nessa altura já fazia os famosos vestidos de festa de renda, encomenda de uma primeira madrinha. O hype veio uns poucos anos mais tarde, quando um figurinista da TV Globo viu um vestido seu numa revista de noivas e cismou que Vanessa Giácomo o usaria na novela Duas Caras. “Depois disso tudo aconteceu muito rápido. Vários figurinistas começaram a me procurar para ter minhas criações nas novelas”, conta. Em seguida foi fácil começar a vestir as atrizes para as festas e coletivas da emissora. “Sempre soube que queria fazer isso. Via o mercado americano, que transforma qualquer coisa num super red carpet, e decidi que aqui tinha espaço para isso também”, afirma. 

A reviravolta da carreira aconteceu após Sabrina Sato usar um vestido com renda preta e transparências, numa festa do Pânico na TV. “As pessoas não paravam de ligar, foi quando realmente aconteci." Lethicia sabe que trabalhar com celebridades e it-girls brasileiras lhe trouxe notoriedade. A carioca é figurinha certa nos eventos mais importantes do país e frequentemente veste nomes como a própria Sabrina, Izabel Goulart, Marina Ruy Barbosa, Giovanna Ewbank, Mariana Rios e Taís Araújo. Mas ela jura que não paga ninguém para usar suas criações. “Nunca paguei e nunca vou pagar (risos). Acho que é uma troca. Do mesmo jeito que para mim é legal que elas usem os modelos, para elas é legal que eu os empreste, já que depois quase sempre aparecem nas listas de mais bem vestidas”, diz. 

Jennifer Lopez usa vestido que ganhou de Lethicia Bronstein após a cerimônia de abertura da Copa do Mundo

Jennifer Lopez usa vestido que ganhou de Lethicia Bronstein após a cerimônia de abertura da Copa do Mundo Foto: Divulgação

O procedimento do empréstimo varia, às vezes Lethicia empresta algo da coleção atual e a atriz devolve para o acervo da estilista depois. Em outras, quando a ocasião é mais importante, a criação do vestido é feita em conjunto e, depois que a peça é usada, vira piloto para futuros modelos. Quando uma celebridade usa um vestido e é um sucesso, ele vira membro da coleção permanente da estilista. “Uma vez que o vestido foi imortalizado por uma famosa, as clientes continuam pedindo aquela peça. Tenho que mantê-lo na coleção”, diz. 

O mais recente a entrar no hall da fama de Lethicia Bronstein foi um curto amarelo usado por Jennifer Lopez nos compromissos após o show de abertura da Copa do Mundo. “Estava no estádio para o jogo e de repente vi no Instagram que ela foi para a coletiva com o meu vestido, quase tive um treco”, brinca. A história por trás do ocorrido é no mínimo curiosa. Lethicia é muito fã de Jennifer e queria presenteá-la com uma de suas criações. Pediu para Claudia Leitte e seu stylist, Renato Thomaz, entregarem o presente. Com a reposta afirmativa da dupla e as medidas de Jennifer que eles passaram a ela, arregaçou as mangas e começou a desenhar e produzir o tal vestido. “Fiquei muito nervosa com a história de que talvez ela não viesse para o show de abertura, mas como estava numa semana tranquila, continuei a fazer o vestido”, lembra. Na última hora, Jennifer confirmou que viria e recebeu o presente no camarim do Itaquerão. “Sei lá, acho que ela gostou tanto do modelo que já o vestiu, não sei direito o que rolou”, diz.

Zoom nas peças que serão lançadas: o forte de Lethicia é o trabalho de rendas sobrepostas

Zoom nas peças que serão lançadas: o forte de Lethicia é o trabalho de rendas sobrepostas Foto: EVELSON DE FREITAS/ESTADÃO

O diferencial das criações da estilista, que fazem com que seus modelos sejam tão adorados, é o material e o jeito com que ela combina as rendas. “Adoro sobrepor rendas diferentes, acho que isso deixa os meus vestidos únicos”, diz. Lethicia revela que dificilmente desenha as peças e que a criação é feita basicamente em cima de um manequim, onde ela testa o caimento dos tecidos e põe e tira os detalhes. “Não fico presa a temas e coleções. Acredito mais no meu olhar e no meu DNA, então vou criando peças até que tenha um conjunto”, afirma. Ao todo, são cerca de 30 peças por coleção (duas por ano), além das que faz sob medida. “Gosto de manter a produção pequena e exclusiva, assim tudo fica debaixo dos meus olhos e do jeito que eu gosto”, diz.

Um trabalho tão autoral não podia passar despercebido pelos temidos ‘copiadores’. Lethicia conta que já se preocupou muito com o assunto, fez horas de terapia e quebrou a cabeça na esperança de frear o movimento, mas tudo foi em vão. “É meio desesperador, porque as próprias atrizes e amigos stylists me enviam fotos e dizem ‘Olha que cópia absurda’, ou ‘É igual o modelo que usei em tal festa’”, conta. Hoje, ela diz que mudou o modo como encara o negócio e, em vez de se irritar, pensa que se é copiada é porque faz um trabalho bom. "Tudo mudou quando estava saindo do fórum para denunciar uma cópia e vi Alexandre Herchcovitch. Nem o conhecia, mas fui correndo ao encontro dele, meio louca, para pedir sua opinião e ele disse: ‘Você só vai perder tempo e dinheiro. Acredite, não vale a pena'." Lethicia termina brincando: “Se ele, que é o rei da moda brasileira e o mais copiado por aqui, não ganha nenhuma causa e não se importa mais, quem sou eu para fazê-lo?”.