A escolarização do aluno com síndrome de Down

Vera Lúcia Capellini - O Estado de S.Paulo

Conviver com pessoas de diferentes origens favorece o desenvolvimento

A síndrome de Down (trissomia 21), descrita pelo médico inglês John Langdon Down, em 1866, é um acidente genético ocorrido, em 95% dos casos, no momento da concepção. Ou seja, é uma condição causada por um cromossomo extra no par 20. Dia 21 de março foi escolhido o Dia Internacional da Síndrome de Down porque os números 21/3 (ou 3-21) fazem alusão a essa trissomia 21.

O convívio com uma realidade diferente faz com que as crianças respeitem e acolham os colegas especiais

O convívio com uma realidade diferente faz com que as crianças respeitem e acolham os colegas especiais Foto: Bob Cotter - Creative Commons

Em 1959, Jerôme Lejeune descobriu que a causa da síndrome era genética. Mulheres com mais de 35 anos têm maior probabilidade de gestar um bebê com alterações cromossômicas como o Down. Os alunos com esta síndrome têm características físicas parecidas, apresentam deficiência intelectual e podem ser acometidos por algumas doenças. Todavia, cada indivíduo com Down ou não é único. Quase sempre a gravidade dos sintomas é inversamente proporcional ao estímulo ofertado durante a infância.

Onde deve estudar um aluno com Síndrome de Down? Não há uma resposta única, pois a legislação brasileira prevê a escolarização na classe comum, bem como em escolas especiais. Entretanto, as evidências científicas apontam que o ambiente mais adequado para a escolarização do aluno com síndrome de Down é a classe comum.

A inclusão escolar de alunos com deficiência, adolescentes e adultos segregados por diversos anos, não é sempre tranquila. A conjuntura brasileira nem sempre favorece que a legislação se materialize a contento no cotidiano escolar. Contudo, a literatura aponta que o início da escolarização na classe comum, desde a educação infantil, tem sido mais efetiva. Visto que aprendemos na interação com o outro.

O aluno com síndrome de Down de 20 anos atrás era menos inteligente que o aluno com a mesma síndrome hoje? Não. É que ao aluno atual é dado oportunidade de aprendizagem, de acessar os conhecimentos produzidos pela humanidade. Antes a eles era apenas atribuído treinamento de habilidades de vida diária, pois eram rotulados como não educáveis. No contexto atual existem pessoas com síndrome de Down na universidade.

A educação é instrumento por excelência de emancipação das pessoas. Isso não é diferente para alunos com síndrome de Down. Além de transmitir conhecimentos acadêmicos, a escolarização é uma etapa fundamental no desenvolvimento integral do ser humano. Conviver com pessoas de diferentes origens e formações em uma escola comum, com uma perspectiva inclusiva, favorece o desenvolvimento pleno de todas as capacidades das pessoas com síndrome de Down.

Mais informações:

MENDES, E. G. Inclusão marco zero: começando pelas creches. Araraquara: Junqueira & Marin, 2010.

http://www.movimentodown.org.br/educacao/educacao-e-sindrome-de-down/

http://www.federacaodown.org.br/portal/

Vera Lúcia Messias Fialho Capellini é professor adjunto do Departamento de Educação da Faculdade de Ciências da Unesp de Bauru