10 verdades sobre a redação de uma revista de moda

Marília Marasciulo - O Estado de S.Paulo

Nem tudo é como parece ser na nova novela das sete, “Totalmente Demais”, em que Juliana Paes interpreta a diretora de uma revista. Editoras revelam o que realmente acontece nos bastidores

Em "Totalmente Demais", a nova novela das sete da Rede Globo, Juliana Paes vive Carolina Castilho, diretora de uma revista de moda

Em "Totalmente Demais", a nova novela das sete da Rede Globo, Juliana Paes vive Carolina Castilho, diretora de uma revista de moda Foto: Reprodução Globo/ Pedro Curi

Mais uma vez, uma diretora de redação de revista de moda é representada na ficção como uma verdadeira tirana. A principal é difícil esquecer, a icônica Miranda Priestly, interpretada por Meryl Streep em “O Diabo Veste Prada” e inspirada abertamente na poderosa editora da Vogue americana, Anna Wintour. Agora, na nova novela das sete da Rede Globo, 'Totalmente Demais', que estreou na segunda-feira, 9, Juliana Paes interpreta a poderosa jornalista Carolina Castilho. Ela vive o tipo de chefe mais detestado entre os funcionários: dá ordens absurdas, maltrata funcionários e institui um clima pesado. Na vida real, algumas dessas situações realmente acontecem, mas nem tudo é tirania. Confira o que dizem as editoras de moda de duas revistas brasileiras.

1. É um trabalho como qualquer outro

"As pessoas às vezes acham que jornalistas de moda são inacessíveis, mas somos iguais a pessoas que trabalham em banco", diz a editora da moda da revista Marie Claire, Mariana Di Pilla. "Batemos ponto, temos projetos, prazos e entregas. A diferença é que no final o que fazemos chega às bancas."

2. As roupas importam, sim

É inocência pensar que quem trabalha diretamente com moda não busca se vestir bem e não repara nas roupas dos outros. "Não é um julgamento se isso é cafona ou aquilo é estiloso, mas faz parte do processo criativo notar o que as pessoas estão vestindo", afirma Mariana. Podem surgir daí, inclusive, ideias para reportagens. “Para trabalhar na área, é essencial gostar desse universo e ter um olhar apurado”, diz Marcela Belleza, editora de moda da revista Estilo.

A icônica Miranda Priestly, interpretada por Meryl Streep em “O Diabo Veste Prada”, foi inspirada abertamente na diretora de redação da Vogue Americana, Anna Wintour

A icônica Miranda Priestly, interpretada por Meryl Streep em “O Diabo Veste Prada”, foi inspirada abertamente na diretora de redação da Vogue Americana, Anna Wintour Foto: Reprodução

3. O clima é amigável

Esqueça a tirania extrema de Carolina Castilho ou da icônica Miranda Priestly, personagem de Meryl Streep em 'O Diabo Veste Prada'. Ok, algumas diretoras podem ser mais duras e exigentes, mas, em geral, o clima na redação de uma revista é amigável. "Como em qualquer empresa, haverá pessoas que nunca vão se dar bem e aquelas que se tornam grandes amigas. Mas todo mundo se respeita e temos liberdade até para conversar com a diretora internacional de moda da Marie Claire, que fica em Paris", diz Mariana. Com o troca troca constante no mercado e as dezenas de eventos semanais, profissionais de veículos concorrentes também mantém uma relação amistosa.

4. Ir a festas e lançamentos faz parte do trabalho

Além de escrever reportagens e comandar editoriais, quem trabalha com moda precisa ir a lançamentos de coleção, festas de inauguração de lojas, comemorações promovidas pelas grifes e toda sorte de eventos. Em média, as assessorias das marcas mandam vinte convite por semana e os editores e repórteres se revezam na função de prestigiá-los. 

5. Não é só glamour

Sim, jornalistas de moda conhecem pessoalmente modelos, atrizes e celebridades. Também têm acesso às coleções antes do restante do mundo. Mas, como em todas as profissões, imprevistos ocorrem e nem tudo são flores. "Já aconteceu de acordarmos às 5h para um ensaio de capa externo em uma piscina e começar a chover muito. Não dá para controlar se vai chover, se o aeroporto vai fechar, se a estrela da capa vai conseguir chegar...", diz Marcela.

Carolina Carvalho, a personagem de Juliana Paes, é uma vilã (pelo menos no ambiente de trabalho): dá ordens absurdas, maltrata funcionárias e parece instituir um clima pesado na redação

Carolina Carvalho, a personagem de Juliana Paes, é uma vilã (pelo menos no ambiente de trabalho): dá ordens absurdas, maltrata funcionárias e parece instituir um clima pesado na redação Foto: Reprodução

6. Tudo pode mudar de um dia para o outro

Embora haja bastante planejamento para cada edição, o processo é dinâmico, ativo e sem rotina. "Às vezes no meio de uma pauta descobrimos outra muito legal ou a atriz liga dizendo que pode fotografar no dia seguinte e corremos para produzir tudo", afirma Marcela, que sempre fotografa celebridade para a capa da Estilo - a última foi Giovanna Antonelli, protagonista de 'A Regra do Jogo'. "Sempre temos surpresas e precisamos estar prontos para lidar com elas."

7. Revistas internacionais servem como referência

Em um mundo em que as redes sociais mudam a velocidade dos fatos e expõem todos a tudo, a inspiração para reportagens está em todo lugar. Às vezes, uma pessoa na rua ou até a vitrine de uma loja serve como ponto de partida para uma ideia. Ainda assim, muitas das pautas e formas de editá-las têm como base as publicações de títulos internacionais - a Vogue América, comandada por Anna Wintour, e a Vogue Paris são dois dos principais. 

8. Há briga por exclusividade

Para manter a credibilidade, o consenso é apostar em exclusividade. Se um estilista importante escolheu dar entrevista para a revista X, a diretora da Y provavelmente ficará uma fera. “As roupas que aparecem na capa não podem ter saído em nenhum outro lugar antes, por exemplo”, explica Mariana. Para isso, as negociações com as marcas podem começar até seis meses antes da edição em que a peça deve aparecer. A briga para ter a celebridade do momento na capa também é grande, já que todas as revistas querem a protagonista da novela das oito primeiro.

9. Os presentes existem - mas nem sempre são aceitos

Conhecidos no jargão jornalístico como "jabás", os presentes recebidos por jornalistas de moda vão de batons a bolsas de grife. Sim, eles aparecem bastante nas redações. Afinal, são também uma maneira das marcas apresentarem seus produtos. Mas nem tudo é aceito. "Aqui, por exemplo, existe uma política de que não podemos ficar com aquilo que não poderíamos comprar. É uma maneira de garantir que não seremos influenciados", afirma a editora de moda da Marie Claire. Em outras revistas, há um valor limite para que o presente possa ser aceito. 

10. Girl power

Como pode-se supor, a equipe das redações de revistas femininas é composta majoritariamente por mulheres. No time fixo da Estilo, há um homem. No Marie Claire, dois. "Aqui somos em 15, temos até TPM juntas", diz Mariana.