O mundo da moda declara apoio a Hillary Clinton

Vanessa Friedman/The New York Times - O Estado de S.Paulo

O mercado americano da moda nunca foi exatamente sutil quanto às suas preferências nas próximas eleições presidenciais

Uma das imagens da campanha de Elie Tahari.

Uma das imagens da campanha de Elie Tahari. Foto: Divulgação

As declarações abertas de apoio a Hillary Clinton começaram na temporada anterior, quando Anna Wintour, editora da Vogue americana, e Marc Jacobs apareceram no desfile de Jacobs usando camisetas personalizadas “Made for History HRC”. E se estenderam aos eventos de captação de recursos promovidos por Anna em prol de Hillary: em fevereiro, na casa da presidente do Conselho Britânico de Moda, Natalie Massenet, e nessa semana com um show e uma festa em Nova York no dia 6 de setembro, imediatamente antes do início oficial da temporada de moda. A passarela deve incluir marcas como Prabal Gurung, Diane von Furstenberg, Jacobs e Public School.

No decorrer dos meses mais recentes, esses estilistas, além de Tory Burch, Georgina Chapman da Marchesa, Rag & Bone e Joseph Altuzarra, também contribuíram com modelos de camisetas para a loja da campanha de Hillary. Mas, a partir do mês que vem, quando novos anúncios surgirão nas gigantescas edições das revistas de moda de setembro, haverá ainda outra campanha declaradamente pró-Hillary em oferta, graças a Elie Tahari. Com fotos de James Macari e intitulada "Madam President”, a campanha mostra uma modelo de vestido vermelho justo no Salão Oval; usando uma peça de mangas com laços atrás do púlpito com o selo presidencial; e usando calças de paletó cinza em meio a uma sessão de relatórios cercada de homens do serviço secreto e bandeiras americanas onde parece ser o Capitólio.

“Temos a escolha entre um homem e uma mulher, e a mulher é mais esperta e mais humilde, e eu queria dizer que apoio isso”, disse Tahari, explicando a lógica da campanha. Ele destacou que conheceu Hillary na Casa Branca durante um café da manhã quando ela era primeira-dama, além de ela ter usado roupas desenhadas por ele quando atuou como secretária de Estado. Tahari e a mulher também promoveram um evento de captação de recursos para Hillary antes da eleição de 2008.

Essa não é a primeira vez que uma marca da moda promoveu a imagem de uma mulher presidente em suas roupas. Em 1992, Donna Karan criou a série de anúncios “In Woman We Trust” com a modelo Rosemary McGrotha fazendo o juramento de posse, trabalhando no escritório e agindo como mãe trabalhadora com saia e paletó listrado, colares de pérolas e mangas de camisa. Mas, naquele momento, não havia candidata viável à presidência. George Bush estava terminando o mandato, e Bill Clinton estava prestes a ser eleito. A campanha funcionou mais como manifesto feminista - uma demonstração de crença do poder da mulher e uma tentativa de vestir as consumidoras com aquele perfil - do que como afirmação política clara. (É interessante notar que Bill Clinton vestiu muitas peças de Donna Karan enquanto foi presidente, e Hillary Clinton usou vestido de Donna Karan em 1993 no seu primeiro evento na Casa Branca. Pode pensar o que quiser a respeito disso.)

Em comparação, dados os candidatos nomeados atualmente por cada partido, a campanha de Tahari é bem mais incisiva. Esse tipo de posicionamento público em meio às mais lidas edições do ano pode levar alguns estilistas a pensar no que fazer, pois um posicionamento político claro corre o risco de afastar uma fatia considerável dos consumidores em potencial. Mas Tahari, que destacou que sua empresa é “85% composta de mulheres”, disse não estar preocupado. “Isso não me deixa nervoso, e sim orgulhoso”, disse ele. “Acredito que ela seja a melhor escolha.” Não que ele sempre tenha concordado com as escolhas de vestuário dela. “Hoje em dia ela usa peças personalizadas”, disse ele. “Mas acho que ela poderia explorar algo mais” feminino e fluido. De todo modo, vai interessante ver como a ideia se desenvolve nas passarelas da Semana de Moda de Nova York, que começou no dia 7.