O melhor do quinto dia da SPFW: entre a veterana chique e as novatas rebeldes

Maria Rita Alonso e Anna Rombino - Especial Para O Estado de S. Paulo

Gloria Coelho evolui dentro do seu próprio estilo enquanto a estreante Just Kids aposta na modinha de rua

A veterana Gloria Coelho respeitou seu estilo e apresentou uma coleção impecável

A veterana Gloria Coelho respeitou seu estilo e apresentou uma coleção impecável Foto: AP Photo/Andre Penner)

As grandes casas de moda do mundo têm algo em comum. Elas não seguem tendências, elas criam tendências. No Brasil, poucos estilistas podem se dar a esse  luxo. Entre eles, está Gloria Coelho, veterana da São Paulo Fashion Week. Ontem, no Teatro Faap, Gloria mostrou mais uma vez porque se mantém no Olimpo há tanto tempo.

Inspirada na Escócia, ela montou a coleção em torno do tartã, aquele padrão quadriculado típico dos kilts. Nada que fuja da sua zona de conforto, já que ela transita sempre entre as mesmas referências, trazendo a estética dos países nórdicos, dos lugares frios e intercalando o futurismo com elementos do vestuário medieval.

Gloria faz moda com cara de Brasil? Não, não faz. Mas não importa. Ela é uma das melhores, justamente, porque segue seu percurso criativo independentemente dos modismos da estação, se reinventando e evoluindo dentro de seu próprio universo.

Desta vez, os vestidos de festa, que são um forte de sua marca, ganharam aplicações geométricas sobre o tule. Alguns modelos tinham volume. Vistos de longe, ganhavam profundidade, quase um efeito 3D. Algumas peças trouxeram sobreposições sofisticadas em um jogo de camadas, com capas leves ou saias sobre calças. Variações de tênis slipper, aquele com sola de borracha e sem cadarço, complementavam os looks com muita modernidade.

Moda de rua nas passarelas da Just Kids

Moda de rua nas passarelas da Just Kids Foto: GABRIELA BILO/ ESTADAO

Na sequência, o desfile da Just Kids trouxe uma dupla nova para a cena fashion, formada pelas estilistas Juliana Jabour e Karen Fuke. E a quinta-feira foi da água para o vinho. Sintonizadas com o movimento de moda de rua, que vem tomando conta das passarelas, elas lançaram mão de um artifício do momento: usar o peito como bandeira para frase de efeito, palavras de ordem e recados de rebeldia. Tudo em inglês.“Ex-virgen” (ex-virgem), “a girl is a gun”, (uma garota é uma arma) e “we’re not here to sell clothes (nós não estamos aqui para vender roupas) estampavam camisetas e moletons, e isso era praticamente tudo o que tinha na coleção. As duas trabalharam juntas por dois anos na Triton, fazendo uma moda altamente comercial. Pelo visto, aprenderam a agradar o consumidor jovem.