O melhor do primeiro dia da SPFW: Animale abre semana de moda em clima de anos 1980

Maria Rita Alonso e Isabela Serafim - Especial Para O Estado de S. Paulo

Vitorino Campos, estilista da marca, se inspirou nos Hamptons para esta coleção

Vitorino Campos se inspirou nos Hamptons para o desfile da Animale

Vitorino Campos se inspirou nos Hamptons para o desfile da Animale Foto: REUTERS/Paulo Whitaker

Domingo, cinco horas da tarde e a turma da moda está reunida em peso em frente a uma torre de escritórios, no Brooklin. A cena parece não fazer muito sentido, mas o frisson da temporada está justamente nos desfiles marcados para ocorrer em cenários inusitados da cidade, como foi o da Animale, ontem, exibido no 24º andar da Tower Bridge. A marca abriu as apresentações da São Paulo Fashion Week, que acontecem em uma tenda montada no Parque do Ibirapuera e também em museus, teatros, lojas e outros pontos, até sexta-feira, 28.

Na passarela, a coleção inspirada nos Hamptons (sem nenhuma conexão com o cenário urbano que rodeia a torre, diga-se) reforçou outra novidade do evento: o modelo chamado “see now, by now”, que acaba com o antigo período de seis meses entre a exibição e a comercialização das linhas. “Precisei pensar em roupas que se adequassem ao calor porque tudo irá para as vitrines imediatamente”, conta Vitorino Campos, estilista da Animale. “Por isso, busquei referências em um lugar que ficou famoso por ser o berço do impressionismo americano, mas que também é uma região de pescaria, turismo e belezas naturais.”

O resultado prático foram camisas brancas folgadas, amplas, com a modelagem do momento, e calças curtas com gancho baixo de linho puro engomado. Depois, uma sequência interessante de peças em jeans curtas, soltas e claras, em um tom delavê bem bonito. Entre elas, destaque para um treach coat de verão, longo e levinho, que recria uma modelagem antiga da Burberry que virou febre em Paris (nas araras dos brechós bons de lá é possível encontrá-lo aos montes).

Nos olhos, muito glitter colorido

Nos olhos, muito glitter colorido Foto: REUTERS/Paulo Whitaker

Do universo da pescaria, vieram bons exemplos de criatividade na modelagem. Peças em algodão com amarrações, ilhoses aparentes e bolsos práticos chamaram a atenção para o bem no desfile. Vestidos desenvolvidos com um fio de seda tramado, desgastado e meio esburacado de propósito faziam alusões claras às redes. Um trabalho de aplicações em escamas mesclou jeans e paetês de um jeito legal, causando um efeito diferente nos modelos.

Na série de roupas de noite, apareceu lamê, vestidos de um ombro só, fendas e bijoux em metal prateado. Uma curiosidade: está em alta usar brincos diferentes, geralmente, feitos com comprimentos opostos, um grudado na orelha e o outro grandão. Mas o material de ambos é o mesmo. Ear cuffs são usados com esses brincos, como complemento.

Apesar das tendências de moda estarem totalmente pulverizadas e não parecer mais correto usar rótulos óbvios, a vibe geral do desfile foi bem anos 1980. Até a camisaria desconstruída, com mangas amplas, bufantes e longas cobrindo as mãos, são herança da década. Mas foram modernizadas de um jeito urbano pelo estilista. Na maquiagem, cor e muito brilho. "Imaginei a Jerry Hall um pouco louca recebendo amigos em um rendez-vous", conta Fabiana Gomes, maquiadora sênior da M.A.C Cosmetics e responsável pela beleza do show. O foco estava nos olhos, que tinham cores e muito glitter - no melhor estilo anos 1980. Os tons terrosos representavam a vegetação dos Hamptons, inspiração da coleção de Vitorino Campos à frente da Animale, e o rosa dava frescor à beleza do desfile.

O estilista

Vitorino Campos é jovem, tem 28 anos, e vem sendo apontado como um dos talentos de sua geração. Assumiu o comando criativo da Animale em 2014, mas manteve sua marca própria que também está no calendário da SPFW. Para ele, a moda caminha com mais liberdade em tudo, especialmente na montagem dos looks, na criação das combinações e nas sobreposições. “Hoje, com a internet e as redes sociais, a gente vive uma nova realidade. As pessoas têm acesso à informação. Elas não precisam de ninguém dizendo o que é certo e o que é errado. Elas podem usar o que quiserem”, diz ele.