O melhor da semana de moda de Paris (até agora)

Maria Rita Alonso, de Paris - Especial para O Estado de S. Paulo

Da excentricidade da Balenciaga ao supersexy da Saint Laurent, passando pela feminilidade forte de Dior e Valentino, a temporada está mais provocadora e engajada

Christian Dior verão 2017, a estreia de Maria Grazia Chiuri.

Christian Dior verão 2017, a estreia de Maria Grazia Chiuri. Foto: Valerio Mezzanotti/The New York Times

Paris está excêntrica, voltada totalmente para os desajustados, os rebeldes e os provocadores. Cores fortes gritam nas passarelas, ombreiras gigantes e drapeados inusitados, meio sem propósito, também têm destaque. Despenca o reinado da moda comum, normal. Dispara o exercício de modelagem, as causas engajadas e as convicções artísticas que dão de ombros aos desejos dos consumidores clássicos das marcas de luxo.  Em algumas coleções, explodem peças amplas, que escondem as curvas e confortam. Em outras, descaradamente sexy, os decotes despudorados, mais as saias curtas e os jeans surrados, dão um certo tom de impertinência aos looks (e a quem os veste, claro).

A turma da Balmain, liderada por Olivier Rousteing, ressalta a estética das Kardashian, e das roupas de impacto, das maquiagens perfeitas, das unhas longas ovais, das modelos superfatais e das celebridades do Instagram. Anthony Vaccarelo, estilista que fez sua estreia à frente da Saint Laurent, também engrossa o time dos muito sexy, com decotes em V feitos para revelar tudo. Na outra ponta, estão Phoebe Philo, da Céline, e Stella McCartney, que apostam em mulheres independentes, mais velhas e conceituais, capazes de usar  alfaiatarias amplas, paletós gigantes e calças baggy. 

Balmain verão 2017. 

Balmain verão 2017.  Foto: REUTERS/Benoit Tessier/File Photo

Ombreiras enormes, cores vibrantes, drapeados e calças-elásticas fizeram a festa na passarela da Balenciaga, sob o comando de Demna Gvasalia. Ele, que veio do Vetements, um grupo de estilo aclamado nas rodas fashion hoje, radicaliza em nome da moda de rua. Os modernos amaram, os conservadores acharam de uma impetuosidade vulgar. De fato, é um caminho bem diferente para uma das maiores marcas de alta costura de Paris. Vamos ver onde vai dar.

Enquanto isso, dois dos desfiles esperadíssimos não decepcionaram a crítica. Depois de 16 anos de trabalho juntos na Valentino, Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli se separaram. Ela assumiu a direção criativa da Dior, enquanto ele seguiu no comando da marca italiana. Maria Grazia brilhou de um jeito mais edge, mais clean e movimentou as redes sociais com um discurso feminista, bem apropriado, diga-se, já que ela é a primeira mulher a assumir a direção da maison francesa. 

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Pierpaolo arrasou seguindo a mesma linha consagrada que já fazia ao lado dela, deixando os vestidos fluidos de sonho com mais vivacidade e mais personalidade. O estilista lançou mão ainda de uma cartela de cores maravilhosa e bem original, recriando vestidos de festa de um jeito glamouroso e ao mesmo tempo cool - usou do rosa ao vermelho-valentino, com pitadas de preto e verde-cítrico. Antes das apresentações, pairava uma dúvida no circuito da alta moda e dos críticos dos veículos internacionais que acompanham esse universo: quem seria o Batman e quem seria o Robin dessa dupla dinâmica? Hoje sabemos que o duo contava com dois Batmans.