O estilo retrô do editor de moda Ben Cobb

Steven Kurutz - The New York Times

O editor chefe da revista inglesa Another Man se veste como se estive nos anos 1970

O editor de moda Ben Cobb vem chamando atenção com o seu visual retrô

O editor de moda Ben Cobb vem chamando atenção com o seu visual retrô Foto: NYT

Para onde quer que a moda masculina vá, Ben Cobb estará lá. Nos desfiles de verão em Londres, Milão, Paris e Nova York, ele estava lá, sentado na primeira fila de quase todos. E quando saía, do lado de fora dos locais onde as apresentações aconteciam, os fotógrafos de estilo de rua não conseguiam deixar de fazer mais uma imagem sua.

Seu visual é muito próprio: bigode escuro, calças justas de bocas largas, camisa de seda desabotoada quase até o umbigo. Uma publicação em um blog da Vogue focava em Cobb fazendo propaganda pela volta do homem vulgar.É natural supor que seu visual, retrô da cabeça aos pés, seja só um estilo do mundo da moda. Mas para Cobb, o editor chefe da revista de moda inglesa Another Man, todos os dias levam, de acordo com o mundo da moda, a 1974. A década o chamou, e ele ouviu.

“A maioria das coisas pelas quais me apaixono cai naquela era por alguma razão. A moda daquela época – eu ainda acho que há alguma coisa realmente mágica sobre aquele tempo que, para mim pelo menos, faz com que nunca fique chato”, explicou. A declaração foi dada por Cobb no bar do hotel, o Loews Regency, entre compromissos, durante sua visita a Nova York em julho. Usava calças Gucci, uma camisa branca Louis Vuitton e botas pretas Saint Laurent. Colares pendiam de seu pescoço. Vez ou outra, alguns hóspedes olhavam para ele com espanto, como se estivessem vendo um homem dos anos 70 descongelado.

Aos 40 anos, o editor contou com fala mansa que chegou a esse visual típico muitos anos atrás, depois de assistir filmes do período – principalmente cults de horror italianos e de crime, como “Quatro Moscas Sobre Veludo Cinza” e “Uomini si nasce poliziotti si muore”.

“A estética desses filmes é incrível. Todos os homens parecem sensacionais.” Falando mais sobre os atores de Hollywood daquele período, como Robert Redford e Jack Nicholson, afirmou: “Eles tinham permissão para se expressar e ser cada um uma versão de masculinidade”.

Pergunto a Cobb como consegue se vestir como Maurizio Merli ou Robert Redford em “Três Dias do Condor” nesta época de jeans justos e ternos encolhidos. Ele usa muitas peças vintage?“Tenho blazers Saint Laurent, um par de ternos. Com alguns dos blazers, a proporção das lapelas pode quase virar uma paródia. Mas a gente nunca quer ser uma caricatura.”

Por isso, afirmou, encontra muitas opções nas lojas de moda de luxo masculinas, especialmente porque elas parecem estar reciclando os anos 70. Ele prefere Tom Ford, Gucci, “um pouco de Fendi” e Dries Van Noten, e quando encontra algo que lhe agrada, compra várias peças.

“Neste momento, compro todas as minhas calças na Gucci. Tenho essas calças em várias cores diferentes. Adoro. Para os sapatos, gosto muito das botas Saint Laurent de Hedi.” Depois que foi anunciado que Hedi Slimane deixaria a marca, “fui lá e comprei um monte”, contou Cobb.

Ele nasceu e cresceu em Londres, filho de um designer gráfico e de uma estudante de moda da Central Saint Martins. Agora mora em um apartamento no bairro Maida Vale pintado de marrom escuro com detalhes dourados na decoração.A inspiração para sua casa veio dos designers dos anos 70 David Hicks e Billy Baldwin, o incrível fornecedor do Hollywood Regency. “Moro em uma bolha”, brincou Cobb.

Ainda assim, apesar de sua estética retrô, ele acha seu visual moderno. Estilo puro, explicou, é misturar o velho e o novo de uma maneira que revele sua personalidade.“Você escolheu aquelas coisas e as colocou juntas de uma certa maneira, e é isso que lhes dá coesão”, afirmou.

Então, como se sentiu ao ser chamado de vulgar na Vogue? Ele achou um elogio? E respondeu sorrindo: “Vejo tudo como elogio. É a melhor maneira de viver a vida, certo? O vulgar de uma pessoa é o romantismo de outra”.