M.Officer é condenada a pagar R$ 6 milhões por casos de trabalho escravo

Isabela Serafim - Especial para O Estado de S.Paulo

Sentença é relativa à ação movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que flagrou oito bolivianos em situação semelhante à escravidão em 2014

M.Officer é condenada a pagar R$ 6 milhões pelos casos de trabalho escravo.

M.Officer é condenada a pagar R$ 6 milhões pelos casos de trabalho escravo. Foto: Reprodução/Facebook

A marca M.Officer, da M5 Indústria e Comércio, foi condenada a pagar R$ 6 milhões por sujeitar trabalhadores a condições análogas à de escravidão em uma oficina de costura no bairro do Bom Retiro, região central de São Paulo. O Ministério Público do Trabalho (MPT) moveu uma ação civil pública contra a empresa depois do flagrante, que aconteceu em 2014. A sentença é de primeira instância e a empresa pode recorrer. 

Os procuradores relataram que as peças da marca eram produzidas pelos funcionários em jornadas prolongadas e exaustivas em ambientes degradantes. Os oito bolivianos resgatados ganhavam de 3 a 6 reais por peça e trabalhavam em média 14 horas por dia. O MPT informou que quando questionada sobre a escolha de seus fornecedores, a M.Officer disse não ter conhecimento do salário, condições de trabalho e segurança. 

O MPT afirmou no dia 21 de outubro que a juíza Adriana Prado Lima determinou que a M5 pague R$ 4 milhões por danos morais coletivos e R$ 2 milhões por 'dumping social', quando os baixos custos de mão de obra são usados para praticar concorrência desleal.

Procurada pelo Moda e Beleza Estadão, a assessoria da marca não quis comentar o caso.