Hillary Clinton faz história. E a veste também

Vanessa Friedman - The New York Times

Com um terninho branco, ela parecia ter o controle da situação na quinta-feira, 28, quando aceitou a nomeação do partido Democrata para ser candidata à presidência dos EUA

Hillary Clinton na Convenção Nacional Democrata na Filadélfia.

Hillary Clinton na Convenção Nacional Democrata na Filadélfia. Foto: Ruth Fremson/The New York Times

Ela parecia presidenciável?

Por mais bobo que isso soe, era parte da tarefa de Hillary Clinton na quinta-feira passada, 28, quando ela aceitou a nomeação do partido Democrata para ser candidata à presidência dos Estados Unidos. Não era necessário apenas mostrar isso às pessoas que não a entendem e não confiam nela, ou explicar suas propostas de políticas, mas também mostrar que quando ela representar o povo no cenário mundial, fará isso com uma aura de liderança e poder.

E ela fez exatamente isso. Com um terninho e blusa de gola redonda brancos, Hillary parecia supremamente imperturbável: perfeitamente ajustada e com o controle da situação. Sem fios de cabelo fora do lugar (mas alguns com ondas bonitas). O tipo de pessoa que poderia carregar códigos nucleares com aprumo.

Mas como ela é uma pessoa que sabidamente faz o dever de casa, ela também usou suas roupas para fazer um pouco a mais. 

Que ela tenha escolhido vestir branco na convenção não pareceu, em princípio, surpreendente. Hillary vestiu jaquetas brancas diversas vezes nas primárias, e quando ela criou uma conta no Instagram, publicou uma imagem de um cabide com jaquetas azuis, vermelhas e brancas. Na quinta-feira à noite, o terninho se sobressaiu no fundo azul e no mar de pessoas. 

Mas também estava cheio de significado, mostrando que ela entende a forma como a moda pode ser útil na política contemporânea e está disposta a promover isso. Aquele terninho, discretamente, também fez referência à história, especialmente a do movimento feminista.

Branco, roxo e dourado eram as cores oficiais do Partido Nacional das Mulheres e do movimento sufragista. Na Inglaterra, as cores oficiais da União Política e Social das Mulheres, criada por Emmeline Pankhurst entre outras, eram branco, roxo e verde.

De acordo com uma história do Partido Nacional das Mulheres no Monumento Nacional Belmont-Paul da Igualdade das Mulheres em Washington, uma declaração de missão para a União Congressista para o Sufrágio das Mulheres notou: "As cores adotadas pela união são roxo, branco e ouro, selecionadas pelo significado que têm para o trabalho da união. Roxo é a cor da lealdade, constância para propósito, firmeza inabalável de uma causa. Branco, o emblema da pureza, simboliza a qualidade de nosso propósito."

Enxergam a conexão?

Geraldine Ferraro, primeira candidata à vice presidente dos EUA, certamente enxergou quando vestiu branco na convenção Democrata de 1984 para aceitar sua nomeação. 32 anos depois, o terninho de Hillary a colocou, firmemente, nesse contínuo.

É notável e apropriado que nenhum estilista tenha reivindicado a autoria da peça, algo que geralmente acontece no dia seguinte, o melhor para monetizar a atenção do mundo. Quinta-feira à noite foi o momento de Hillary e de todas as mulheres. Suas roupas simplesmente deram a ela os meios para amplificar a mensagem.

Tradução de Marília Marasciulo