Favela do Quênia exporta ternos coloridos que fazem sucesso na Europa

Giovana Romani - Especial para O Estado de S. Paulo

Com design contemporâneo e estampas africanas, peças produzidas em Kibera caíram nas graças de hipsters e fashionistas

Os ternos são coloridos e têm caimento perfeito.

Os ternos são coloridos e têm caimento perfeito. Foto: Reprodução

Na capa de seu novo álbum, os quatro integrantes da banda de folk holandesa Trinity aparecem vestindo blazers estampados e supercoloridos cheios de estilo. As peças foram produzidas bem longe dos redutos descolados da Holanda - mais especificamente na favela de Kibera (considerada uma das maiores do mundo), localizada em Nairóbi, no Quênia. 

Em uma visita ao à comunidade, o empresário sul-africano Nick Searra notou o potencial das costureiras e dos alfaiates locais e decidiu capacitá-los. Uniu, então, a modelagem ocidental aos tecidos africanos para criar um conceito de alfaiataria masculina bem original em um projeto de moda social batizado de Wakuu. 

Ternos completos, blazers de caimento perfeito e gravatas borboletas divertidas de cores diferentes são vendidas online para a África e a Europa por meio do site da marca e custam entre 15 e 225 euros. 

Após participar da Semana de Moda de Amsterdã e ver a Wakuu começar a fazer sucesso entre hipsters e fashionistas, Searra tem iniciado um plano de expansão da marca, propondo um sistema de franquias para a instalação de lojas em capitais africanas e europeias. 

Estão nos planos da organização oferecer bolsas de estudo em faculdades de moda para seus profissionais. "Desde o início, nosso objetivo é, não apenas ser um ótimo lugar para as pessoas comprarem roupas, mas também uma forma de apoiar as comunidades do Quênia com formação, emprego e desenvolvimento", diz Searra no site da marca.