Desfile histórico abre Rio Moda Rio

Giovana Romani - Especial para O Estado

Nova semana fashion carioca começa na terça, no Píer Mauá, com homenagem a grifes lendárias dos anos 1980

Desfile da Yes, Brazil

Desfile da Yes, Brazil Foto: Divulgação

Xuxa e Silvia Pfeifer na passarela, Prince e David Bowie na trilha sonora. Cores, brilhos, exagero, ombreiras. A irreverência dos anos 1980 marca a festa de abertura do Rio Moda Rio, nova semana de moda carioca que começa na terça, 14, e segue até sexta, 17. Sem um evento do tipo desde 2014, quando ocorreu o fim do Fashion Rio, o Rio de Janeiro volta a sediar uma semana de grandes proporções com desfiles de 14 grifes – entre elas, Lenny Niemeyer, Osklen, Patrícia Viera, Isabela Capeto e Blue Man –, no Píer Mauá, no centro da cidade. “Pensamos em um formato focado em democratizar o acesso à informação de moda”, diz o curador, o estilista Carlos Tufvesson. 

A ideia é que o Rio Moda Rio seja um grande espetáculo – inclusive, com venda de ingressos ao público (por R$ 65 a inteira). Além de desfiles tradicionais, haverá instalações, exposições e performances. A começar pelo show de abertura. Marcado para as 21h de terça, a apresentação idealizada pelo diretor de arte Gringo Cardia homenageará quatro grifes badaladas nos anos 1980, que nasceram na capital fluminense e marcaram época: Yes, Brazil, Company, Maria Bonita e George Henri. “O Rio sempre teve um lifestyle e foi propagador de moda como manifestação cultural. Havia desfiles na rua, em almoços, festas”, afirma Cardia. “As pessoas inventavam moda junto com comportamento.”

Ícone de beleza dos anos 1980, Silvia Pfeifer cruzará a passarela com um look do acervo do estilista George Henri, belga radicado no Rio, conhecido pela modelagem impecável e os desfiles modernos dirigidos pela amiga Betty Lago. Morta em setembro passado, a atriz também será homenageada na apresentação. 

Referência à Xuxa

Referência à Xuxa Foto: Divulgação

Já Xuxa deve surgir com um visual diferente e ultracolorido para relembrar a moda festiva da Yes, Brazil, marca para a qual fez seu primeiro desfile no início da carreira, três décadas atrás. Criada por Simão Azulay (pai do estilista Thomaz Azulay, que também desfila no evento com sua marca, a The Paradise), a Yes, Brazil representava o hype da noite carioca com peças exageradas e sem gênero. 

Já a Company, de Mauro Taubman, vendia a ideia do dia, do lifestyle praiano – mochila nas costas, pouca roupa e muita sensualidade. Na abertura do Rio Moda Rio, a moda jovem da marca será lembrada por surfistas e meninas do Rio, que vestirão peças criadas pelas grifes Farm e Foxton, herdeiras da identidade cool da Company.

Betty Lago para George Henri, 1987

Betty Lago para George Henri, 1987 Foto: Divulgação

Mais contida, a Maria Bonita, criada por Maria Cândida Sarmento em 1975, foi símbolo da elegância carioca por décadas. O desfile que fará referência ao trabalho da estilista, morta em 2002, terá a participação da cantora Adriana Calcanhotto e uma releitura de peças da última coleção assinada por Cândida. “Queremos falar do passado para pensar no futuro, não com nostalgia”, diz Cardia. “Lembrar o quanto essas pessoas foram transgressoras e irreverentes é uma de injeção de ânimo para um Brasil que está na lama.”

Plataforma. Com investimento de R$ 15 milhões e patrocínio da Natura e da Federação das Indústrias do Rio, a Firjan, o Rio Moda Rio já está alinhado ao conceito do “veja agora e compre agora”, em que as coleções são colocadas à venda logo após os desfiles. Parte das peças estará disponível em pop up stores dentro do Píer Mauá e nas lojas das marcas. “Mais do que uma semana de moda, a ideia é criar uma plataforma que integre a cidade e fomente a moda o ano inteiro”, afirma Luiz Calainho, idealizador do evento ao lado de Rodolfo Medina e Duda Magalhães, que também organizam o Rock in Rio.