Como Ralph Lauren marcou a Olimpíada ao criar uniformes eletrizantes

Guy Trebay - The New York Times

Delegação americana desfilou com looks superpatrióticos criados pelo estilista. O do porta-bandeira, Michael Phelps, tinha paineis eletroluminescentes

O nadador Michael Phelps carregou a bandeira americana na cerimônia de abertura. 

O nadador Michael Phelps carregou a bandeira americana na cerimônia de abertura.  Foto: REUTERS/Kai Pfaffenbach

De todas as maratonas que levaram aos Jogos Olimpícos do Rio 2016, uma das menos divulgadas talvez tenha sido a que ocorreu no centro de processamento da Ralph Lauren, no Texas. Lá, um time de alfaiates precisou correr para montar os looks de 600 atletas e 200 técnicos a tempo do desfile das delegações que ocorreu na cerimônia de abertura, na sexta-feira, 5, no Maracanã.

Segundo David Lauren, vice-presidente de marketing e comunicação global da Polo Ralph Lauren, foi um desafio diferente de todos. Esta é a quinta vez que a marca vestiu o time olímpico e paralímpico americano. "É um esfoço quase hercúleo", conta o estilista Ralph Lauren. "Você tem atletas pequenos como as ginastas, que não medem mais de um metro e meio, e aí você tem um jogador de basquete como LeBron James."

Sem surpresas, considerando a ocasião e o fato de a marca ter sido construída em cima de roupas esportivas formais, os uniformes são tão vistosos, conservadores e patrióticos como Besty Ross (acredita-se que ela criou a primeira bandeira americana): blazers azul marinho com botões dourados, camisetas listradas (camisas formais e gravatas foram consideradas, mas descartadas por causa da previsão de temperatura alta); jeans branco slim; mocassins azul, vermelho e branco; cintos azul marinho; e pulseiras listradas de algodão. Para a cerimônia de encerramento, os blazers vão ser transpassados e, os jeans, substituídos por shorts.

A delegação americana desfilou com looks superpatrióticos criados pelo estilista Ralph Lauren.

A delegação americana desfilou com looks superpatrióticos criados pelo estilista Ralph Lauren. Foto: Divulgação

"Tudo foi feito nos Estados Unidos", diz Lauren. Ao tentar encontrar maneiras de elevar o simbolismo patriótico das peças, sem quebrar as regras do Comitê Olímpico Internacional (COI), que desencoraja ostentação, o time da Polo Ralph Lauren apostou na noção onipresente (e na moda) de incorporar tecnologia vestível nas roupas. Inicialmente, o emblema do time no bolso do peito e as letras U.S.A. nas costas teriam paineis eletroluminescentes com baterias.

A ideia era eletrizar o time inteiro, mas um comitê olímpico que quer atrair os jogos de 2024 para os Estados Unidos acabou com a ideia. Por isso, a única pessoa que vestiu a roupa iluminada foi o porta-bandeira, o nadador Michael Phelps. E esse foi outro desafio para os alfaiates: até a véspera da cerimônia, a identidade do atleta escolhido para carregar a bandeira não havia sido revelada. "Eles tiveram que literalmente costurar no último minuto", afirma Lauren.