Chanel e Dior reivindicam tradição artesanal da alta costura

LUIS TORRES DE LA LLOSA - AFP

Na semana de Paris, grifes apresentaram coleções baseadas no legado de seus fundadores. "Essas peças não são feitas por acaso", afirmou Karl Lagerfeld, da Chanel

Modelos apresentam peça da coleção de alta costura de inverno 2016 da Chanel

Modelos apresentam peça da coleção de alta costura de inverno 2016 da Chanel Foto: AFP PHOTO / PATRICK KOVARIK

A alta costura remarcou sua excelência artesanal na coleção de Karl Lagerfeld para a Chanel, apresentada nesta terça-feira, 5, em Paris, em um momento em que a indústria da moda vive uma era de mudanças. Um dia depois da Dior se voltar para o legado de seu fundador, Christian Dior, morto em 1957, com uma coleção inteira em preto e branco, o estilista Lagerfeld voltou os olhos para a tradição do ateliê com um desfile que colocou em cena as costureiras dos famosos tailleurs da Chanel.

Enquanto as modelos desfilavam, era possível ver as costureiras e passadeiras em segundo plano, trabalhando. "Sem essas mulheres, a alta costura não existiria", disse Lagerfeld. "É divertido que as pessoas possam ver como se fabrica o grande luxo, algo que mudou pouco em cem anos." A coleção de 70 peças apresentou diversas variações do tailleur criado por Coco Chanel, entre elas o modelo de ombros angulares e salientes.

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A reivindicação da tradição artesanal e de seu legado soou como uma reafirmação de território por parte das duas principais grifes de moda francesas, Dior e Chanel. Especialmente diante do advento do fast fashion e de marcas como a Vetements, que estão mudando o calendário tradicional das temporadas de moda para aumentar os lucros. "Isso é verdadeiramente artesanal, não são peças feitas assim por acaso", disse Lagerfeld. "Não tenho nada contra o fast fashion, mas isso aqui é outra história."