Bruna Marquezine em look de época: veja detalhes do figurino da série 'Nada Será Como Antes'

Anna Rombino - Especial para O Estado de S. Paulo

Produção da Globo que conta a história do nascimento da televisão brasileira estreia nesta terça-feira, 27

Bruna Marquezine e Débora Falabella interpretam atrizes de novela na série "Nada Será Como Antes". 

Bruna Marquezine e Débora Falabella interpretam atrizes de novela na série "Nada Será Como Antes".  Foto: Estevam Avellar/ Globo

Depois do surgimento da televisão, tudo mudou. Esse é o ponto de partida da série de Guel Arraes e Jorge Furtado, "Nada Será Como Antes", que estreia nesta terça, 27, na Rede Globo. A trama tem duas histórias principais: a do fundador da TV Guanabara, Saulo Ribeiro (Murilo Benício), e sua esposa, a atriz de rádio Verônica Maia (Débora Falabella), que vivem o drama da infertilidade, e a de Beatriz (Bruna Marquezine), jovem pobre que vira estrela de novela. 

 

O figurinista da série, Cao Alburquerque, que também participou de "Justiça", "O Canto da Sereia" e "O Rebu", teve o difícil trabalho de criar roupas para mulheres livres que viviam em uma época em que moda era uma prisão. "Elas ainda estavam apertas em cintas e calcinhas largas", conta.  Em entrevista ao Estadão, Albuquerque falou de seu processo criativo, inspirações, como as roupas também contam uma história e detalhes sobre o figurino da série, que ele define como um dos melhores trabalhos da carreira. 

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Como foi a criação do visual dos personagens? 

 A gente começa com reuniões, depois vai para a escolha de atores, pesquisas e desenhos para aprovação. Quando aprovado, vamos em marcas, brechós, lojas de tecido e avimentos, dependendo do que cada um pede. Na série, foram dois meses da pré-produção até começar a gravar. Esse é o processo de criação e realização de todo figurino, tanto no teatro quanto no cinema e na televisão. Da chegada do texto até a gravação é sempre respeitada essa ordem. 

E o que muda em uma produção de época? 

Os locais em que as roupas são feitas. Nesse caso, a gente criou 85% das roupas e os outro 15% são peças de brechó, transformadas, reformadas e customizadas. 

Quais as suas inspirações? 

Na hora de criar um figurino, 50% é artístico e 50% encomenda. Não dá para fazer uma Carmen Miranda se estão me pedindo uma Pagu. Em "Nada Será Como Antes", minha inspiração foi minha infância vendo novelas na Bahia. De certa forma, os anos 1950 sempre foram muito inspiradores para quem gosta de história. 

As mulheres dessa série vêm para mostrar o quanto a televisão juntou um monte de gente livre para fazer uma revolução. Então me inspirei em mulheres fortes, mas não necessariamente da mesma época. As principais foram Marilyn Monroe, Leila Diniz e Dita Von Teese, que são de décadas distintas, mas que revolucionaram a sexualidade e têm até hoje um sex appeal

Sobre essa liberdade das personagens, como fazer para vestir mulheres tão fortes e independentes com roupas que ainda as prendiam muito?

Os anos 1950 foram uma fase de muita mudança, liberdade para as mulheres e ruptura de valores. Apesar do liquidificador e da máquina de lavar terem chegado para deixar a vida mais fácil, elas ainda eram um presente aos homens, e estavam presas no sutiã, apertadas nas cintas e calcinhas largas.  Beatriz e Verônica são duas atrizes e acredito que os artistas vieram para revolucionar o mundo. 

E como as roupas ajudam a contar a história? 

Cada uma vive um drama específico. A Verônica tem um marido estéril e sofre por não poder ser mãe. A Beatriz é a filha da empregada que vira artista e quer ser livre, mas acaba confundida com uma prostituta, e a Julia, personagem de Leticia Colin, se apaixona por uma mulher. São tramas secas e reais. Eu percebi que aí não cabia nenhuma saia godê ou esvoaçante, porque elas enfrentam barras pesadas e essa estética água-com-açúcar iria enfraquecer as personagens. Os anos 1950 foram o momento da saia tulipa, hoje chamada de lápis, então fizemos tudo muito seco e reto, sem rodados. 

O primeiro capítulo da trama se passa no final dos anos 1940 e a segunda-fase é nos anos 1950. Como vemos essa passagem de tempo nas roupas? 

A gente acabou fazendo um figurino bem datado e específico, porque as pessoas não iam entender se fosse sutil, e trabalhamos com as cores. Nos anos 1940, a trama é em uma cidade do interior, então fizemos tudo em tons terrosos, cáqui e verde oliva. Nos anos 1950, a história acontece no Rio de Janeiro, e trabalhei com preto, branco, gelo e cinza, além de vermelho e vinho para dar o colorido. Minha vontade era criar uma história toda em p&b, porém a imagem da televisão em HD é feita para o colorido. 

Tanto a personagem da Débora Falabella quanto a de Bruna Marquezine são meninas que saem do campo e viram artistas. Como o figurino delas evolui? 

O que muda é a qualidade das peças. No começo, as roupas são de algodão e popeline, com acabamento mais simples, e conforme elas vão ficando famosas, a qualidade vai melhorando. A Bruna tem a fase cabaré, com muitas franjas, paetês e miçangas. Depois que ela se apaixona pelo Daniel Oliveira vai para os tecidos nobres, como tafetá, organza e veludo. O que difere nas duas é que a Débora não tem a agonia de sexualidade, ela é sexy por natureza. 

Como foi fazer esse figurino da novela dentro da novela?

Na 'vida real' dos personagens, temos todo o realismo e quando entram os coristas e as novelas, eu posso contar todo o absurdo da televisão. Por causa dessa opulência, a gente mal andava no camarim, tinham vestidos de 20 metros! Tem uma novela da Anna Karenina, que se passa na Rússia na virada do século 19, e as roupas são esplendidas. Como o trabalho não é só meu, fico à vontade para achar tudo aquilo muito bonito.