A anatomia de um uniforme paralímpico

Júlia Tibério - Especial para O Estado de S. Paulo

Qual é o processo de criação e adaptação da roupa usada pelos atletas na competição esportiva mais importante de uma carreira

Delegação brasileira na abertura dos Jogos Paralímpicos.

Delegação brasileira na abertura dos Jogos Paralímpicos. Foto: Divulgação/Comitê Paralímpico Brasileiro

As Paralímpiadas começaram nesta semana e logo na cerimônia de abertura a delegação brasileira chamou a atenção ao desfilar com uniformes moderninhos desenvolvidos pela carioca. Ao Estadão, Igor Barros, diretor de estilo da Reserva, conta que além de usar um algodão de trama mais aberta do que o comum e um shape solto, detalhes que aumentam o conforto e facilitam na hora de vestir, também houve a preocupação em produzir algo que fosse simples de transformar depois: “Foram estudados recortes especiais e estratégicos para descomplicar os múltiplos ajustes pertinentes para atender a necessidade de cada atleta. Mesmo assim, o processo final foi bem individual, quase artesanal”, revela. A camiseta do uniforme pode, inclusive, ser comprada nas lojas e no e-commerce da Reserva. A ideia é popularizar a ação.

André Brasil, nadador que disputará oito medalhas nos jogos, diz que nunca atletas com alguma deficiência receberam tanto apoio e atenção: “A sensação é incrível! Pela primeira vez temos um uniforme só nosso. Demonstra identidade, crescimento. Vai ao encontro ao momento que o esporte paralímpico vive”, diz.

Andre Brasil (natação), Silvânia Costa (atletismo) e Jovane Guissone (esgrima em cadeira de rodas), ao lado do embaixador paralímpico Flavio Canto.

Andre Brasil (natação), Silvânia Costa (atletismo) e Jovane Guissone (esgrima em cadeira de rodas), ao lado do embaixador paralímpico Flavio Canto. Foto: Divulgação/Comitê Paralímpico Brasileiro

André, que sofreu de poliomelite quando tinha apenas alguns meses de vida e ficou com uma sequela na perna esquerda, acredita que os Jogos Paralímpicos do Rio servirão para promover a inclusão. “Penso que estamos vivendo uma transformação social. Mudar valores e aceitar melhor as pessoas com deficiência são coisas que levam algum tempo, mas estamos caminhando. Quem sabe em um futuro próximo não podemos até dar algumas sugestões na criação dos nossos uniformes?”, brinca.

Ricardo Costa, (T11) no salto em distância.

Ricardo Costa, (T11) no salto em distância. Foto: Reprodução

Procuradas pelo Estadão, Nike e Adidas, as duas maiores empresas de material esportivo e patrocinadoras de diversos atletas, preferiram não falar sobre o tema dos uniformes paralímpicos.