Vinculação é uma boa alternativa?

Simone Iwasso - O Estado de S.Paulo

NÃOMaria Izabel NoronhaPara a presidente do sindicato dos professores do Estado (Apeoesp), Maria Izabel Noronha, a Secretaria Estadual da Educação não dialogou com os professores antes de elaborar o projeto, o que compromete sua aceitação e eficácia. "Novamente somos informados pela imprensa das medidas que o governo quer implementar, o que está errado."Segundo ela, outra questão é o aumento do salário base. "O secretário precisa pensar em uma política geral de plano de carreira do professor. Não adianta criar novas propostas em cima de uma coisa que não está boa", afirmou. "O que precisamos é que o salário seja elevado, para depois outras medidas serem implementadas. O professor vai ter de passar quatro anos com baixo salário para depois tentar concorrer a um aumento", diz. "Sem contar que ele não permanecerá na mesma escola sem que as condições para ele trabalhar sejam melhoradas." SIMPatrícia Mota GuedesPesquisadora do Instituto Fernand Braudel, Patrícia Mota Guedes classifica como "um avanço" a iniciativa da Secretaria Estadual da Educação de associar reajuste salarial a desempenho. Segundo ela, somada com a manutenção do bônus pago aos professores cujos alunos atinjam as metas de aprendizagem, a proposta se torna mais completa."O plano de carreira do professor hoje é muito horizontal. Progressão por título e por tempo não é incentivo para melhorias", diz ela, realçando uma crítica comum de especialistas à falta de meritocracia na rede pública. Além disso, segundo a especialista, a possibilidade de atingir um salário de R$ 7 mil em 12 anos pode tornar a carreira atraente para profissionais que hoje não querem dar aulas ou ficam apenas lecionando na rede privada. "Esse salário é mais competitivo e compatível com o de boas escolas privadas e ONGs", diz.