Vaticano obtém censura a programa de TV em Israel

- O Estado de S.Paulo

Humorista disse que Maria engravidou aos 15 anos

A Santa Sé solicitou e obteve das autoridades israelenses a censura de um programa humorístico em uma rede privada de televisão que "ridicularizava, com palavras e imagens blasfemas", Jesus Cristo e Virgem Maria, informou ontem um comunicado do Vaticano. "A assembleia de bispos católicos na Terra Santa manifestou publicamente seu protesto e indignação pela transmissão, há poucos dias, de um programa no Canal 10 da TV privada israelense no qual ridicularizava, com palavras e imagens blasfemas, a nosso Jesus e a beata Virgem Maria", diz a nota."As autoridades governamentais, informadas imediatamente pelo núncio apostólico, intervieram rapidamente para garantir que os programas sejam interrompidos e que se obtenha desculpas públicas da emissora", continua o texto. "Manifestamos nossa solidariedade aos cristãos da Terra Santa e deploramos um ato tão vulgar, ofensivo e intolerante." O programa, transmitido no início da semana, é uma realização do humorista Leor Shlein, que satirizou alguns aspectos da vida de Jesus e afirmou que "Maria engravidou aos 15 anos de um colega de escola". O humorista pediu desculpas após o protesto de bispos católicos e de árabes israelenses cristãos.RELAÇÕES ESTREMECIDAS As relações entre Israel e o Vaticano passaram recentemente por graves momentos de tensão, após a reabilitação do bispo ultraconservador Richard Williamson, que em entrevista à televisão sueca negou a existência das câmaras de gás nazistas e a morte de 6 milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial (mais informações nesta página). No final do mês passado, o rabinato supremo de Israel chegou a romper com o Vaticano. Em reunião com 60 líderes da religião judaica no Palácio Apostólico Vaticano, a residência oficial do papa, no dia 12, Bento XVI foi aplaudido após dizer que qualquer minimização do Holocausto é "inaceitável", especialmente vinda de um sacerdote.Na mesma reunião, foi anunciada uma visita do papa a Israel, em maio.Ontem, em Roma, o papa deplorou as "polêmicas destrutivas" que afetam a Igreja Católica e que provocam o risco de convertê-la em uma "caricatura", em discurso improvisado durante uma visita a um seminário."Faz falta um exame de consciência", disse. "Com a arrogância intelectual se crê que um é melhor do que o outro e surgem polêmicas destrutivas. Assim surge uma caricatura da Igreja", afirmou, sem citar um episódio específico. AFP