Várias ideias na cabeça

- O Estado de S.Paulo

Maria Fernanda Cândido diz que gosta de sossego, mas não faltam compromissos e atividades na sua agenda

Mulher multifocada. Filhos, carreira e negócios. Foto: Paulo Giandalia/AE

 

 

O início da Casa do Saber - instituição que realiza cursos e palestras sobre variados temas, como filosofia, história e atualidades - deu-se a partir de reuniões que um grupo de amigos fazia em 2003. Entre os presentes nesses encontros, estava a atriz Maria Fernanda Cândido, uma das atuais sócias. Para ela, a inauguração do espaço de cultura, hoje com unidades em São Paulo e no Rio, foi uma iniciativa pioneira.

 

"Era uma experiência muito gostosa, mas, para tocar o negócio, fomos muito corajosos, pois não existia nenhuma referência." Maria Fernanda recorda-se da dificuldade de explicar para as pessoas do que se tratava exatamente o novo espaço, o que era necessário, inclusive, na hora de trazer os professores para ministrarem as aulas. "Hoje, consolidamos um sistema de trabalho e uma imagem."

 

Diz que sua função é trazer ideias para que a grade de cursos esteja sempre atual e renovada. Cada um dos sócios atua em uma área diferente, o que faz com que a programação seja a mais variada possível. A atriz revela que sua contribuição tende a ser mais na área artística. "A ideia de ter um anfiteatro foi minha, assim como a de fazer leituras teatrais."

 

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Terapeuta ocupacional formada, Maria Fernanda acredita que sua bagagem acadêmica contribui para sua vida profissional. "O terapeuta tem uma visão do todo: ser humano, vida, saúde." Conta que é bastante ávida e interessada pelos cursos oferecidos na Casa do Saber, mas confessa que ultimamente não tem tido tempo para assistir a todos que gostaria. "Nos últimos anos, não consegui fazer nem um décimo do que gostaria, por conta do nascimento do meu último filho."

 

Ler é uma de suas atividades favoritas, tanto que é frequentadora assídua de livrarias. E a poesia é uma das suas paixões. O primeiro autor que chamou a sua atenção foi o português Fernando Pessoa, depois o rol de escritores de sua preferência só foi aumentando. Hoje, cita também Edgar Allan Poe e João Cabral de Melo Neto.

 

Carreira artística. A atriz prepara-se para voltar aos palcos em 2011, com a peça O Demônio de Hannah, da qual comprou os direitos. Desde então, vem trabalhando na pré-produção do espetáculo. A ideia de montar a peça surgiu de um dos seus sócios na Casa do Saber, que assistiu à montagem e ligou para ela contando, entusiasmado.

 

Maria Fernanda encantou-se com a história da filósofa alemã Hannah Arendt, que teve um relacionamento com o também filósofo Martin Heidegger. "Muito mais do que a história de amor, há um embate ideológico, político e afetivo." Refere-se à posição política assumida pelos dois personagens durante a Segunda Guerra Mundial: ele, filiado ao partido nazista; ela, judia que deixou a Alemanha para escapar das atrocidades de Hitler.

 

No cinema, Maria Fernanda acaba de filmar um longa de Tizuka Yamazaki, Aparecida, no qual interpreta uma mulher contemporânea. "Ela tem um sentido de independência, até mesmo afetiva, muito forte." E acaba de receber um convite para participar de um seriado na Globo. Vai integrar o elenco de Afinal, o que querem as mulheres?, que deverá estrear no segundo semestre, com a assinatura do diretor Luiz Fernando Carvalho. Mas só adianta o nome da sua personagem, Monique. Os ensaios começaram na semana passada. "Estou felicíssima", comemora a atriz.

 

Novela, porém, garante que ainda não é hora de retornar, por causa dos filhos pequenos. "É preciso uma disponibilidade de cerca de um ano." Por isso, nos últimos anos, participou de projetos menores, como as minisséries Capitu, na qual atuou grávida, e Dalva e Herivelto, ambas na Globo.

 

Mãe de dois meninos, de 4 e 2 anos, Maria Fernanda concilia o trabalho artístico, a sociedade na Casa do Saber, os cuidados com a família e, de vez em quando, arruma tempo para ajudar no bistrô do marido, o chef Petrit Spahija - embora diga que só seleciona músicas e os artistas que expõem no restaurante. No dia a dia, define-se como uma pessoa marcada pela simplicidade. "Gosto de sossego, sou muito caseira. Minha família e meus filhos me fazem muito felizes."