Uma horta no quintal

Agencia Estado - O Estado de S.Paulo

Cultivar, no quintal de casa, uma horta e um pomar, é um privilégio que alguns moradores da cidade transformam em hobby, enquanto outros fazem dos produtos orgânicos um grande negócio. Em plena Vila Madalena, precisa ver só, há um desses cantinhos, que desafiam a aridez do cenário urbano. Banana nanica, abacate,araçá (que parece uma goiabinha), romã, uva e pitanga são algumas das frutas plantadas no pitoresco pomar da casa de Ermínia Maricato, arquiteta que já foi ministra do governo Lula. Professora da USP, ela conta que quando pediu demissão do Ministério das Cidades, em Brasília, voltou pra sua casa em São Paulo e resolveu incrementar sua hortinha caseira. No meio desse quintal de frutas saborosas, ela também plantou ervas, como manjerona, manjericão, alecrim, orégano, salsa, aipo e hortelã, entre outras. Ermínia não se deu por satisfeita e decidiu completar sua suculenta plantação cultivando uma grande variedade de verduras e legumes, como alface, escarola, almeirão, tomate, cenoura, rabanete, salsão ou aipo e quiabo. ?É uma delícia comer jaboticaba colhida no pé", confessa Ermínia. ?Tudo que é fresquinho é muito mais saboroso. Outra vantagem é não precisar ingerir alimentos com produtos químicos? , pondera. Ermínia conta que trabalha a terra com um composto agrícola orgânico desenvolvido por ela. ?Trata-se de um produto feito com folhas que caem das árvores, estrume de gado e galinha e farinha de osso. De vez em quando eu mexo tudo isso e depois misturo com terra. Não uso adubo artificial, nenhum produto químico e nem defensivo agrícola, que são os inseticidas?, relata. Tomate, ensina Ermínia, é muito difícil de cultivar sem defensivo agrícola. Tudo o que é produzido no seu quintal é para consumo próprio, mas quando a colheita é grande, ela divide com amigos e parentes. ?Mexer com terra e ver os frutos nascer descansa a cabeça e cansa o corpo, ainda mais para quem fica horas seguidas em frente ao computador?, acredita a arquiteta, que admite ter encontrado a terapia ideal. No caso da engenheira química Patrícia Hamra, a paixão pelos produtos orgânicos ultrapassou a horta urbana para se transformar em um negócio bem-sucedido: um empório dedicado exclusivamente aos produtos orgânicos. Foi em um bairro de classe média alta, os Jardins, que ela abriu o Taya Empório Orgânico. Lá, até os móveis da casa são todos reciclados, feitos de madeira de demolição, comprados em lojas de antiguidade. ?Não foi preciso desmatar florestas para criar esses objetos?, comemora a engenheira química. E mais: o uniforme dos funcionários é feito de algodão orgânico, comprado em Campina Grande, na Paraíba.Para rechear as prateleiras, Patrícia começou a um verdadeiro trabalho de pesquisa para encontrar produtos adequados à sua proposta para oferecer aos clientes. E se surpreendeu ao encontrar pequenos comerciantes que abastecem supermercados com produtos orgânicos. Mas Patrícia exige o selo de garantia em todos os produtos. ?Dá um pouco de trabalho selecionar tudo com o selo de certificação, mas vale a pena não comprar ?gato por lebre??, confessa. ?E aqui é tudo natural, sem agrotóxico, sem fertilizantes sintéticos, sem aditivos ou conservantes químico. Todos os artigos que vendo são produzidos com respeito ao meio ambiente, responsabilidade social e muitos cuidados ecológicos?, garante. Hoje o Empório Taya, que fica na Rua Padre João Manoel, 968, 3062-3700, comercializa cerca de 1500 mercadorias, entre bebidas alcoólicas (importadas), alimentos e cosméticosnaturais.