Um DVD, 11 CDs, programa de TV, 5 livros. E é padre

Roberta Pennafort, RIO - O Estado de S.Paulo

Fábio de Melo, da Diocese de Taubaté, vendeu mais de 1 milhão de cópias de seus discos em dez anos

Ele tem cinco livros publicados, programa semanal de TV, site (www.fabiodemelo.com.br), blog e comunidades do Orkut criadas por fãs. O padre Fábio de Melo, da Diocese de Taubaté, tornou-se conhecido por meio da música. Em dez anos, vendeu mais de 1 milhão de cópias de seus 11 CDs e 1 DVD. "Eu me utilizo dos recursos que tenho", diz. "Sou padre nesse contexto globalizado, onde os veículos de comunicação são inúmeros." Só não gosta de ser chamado de padre galã. "Não gosto destas reduções." O fato de não usar batina nos shows, ao contrário de Marcelo Rossi, ajuda a provocar assédio. "Mas são raros. O que recebo é o carinho das pessoas que se identificam com meu jeito de evangelizar." A empresária Heliomara Marques, que o acompanha há oito anos, jamais presenciou uma cena "mais escandalosa" envolvendo uma fã. "Lógico que existem meninas atraídas pela estética, mas ele percebe, já trata com aquela distância e coloca a pessoa no lugar dela." Batina, só usa em missas de casamento e batismo. Mas só consegue celebrar três por mês. Sua imagem é diferente daquela cristalizada por Rossi. Melo sobe ao palco, dá palestras e aparece na TV geralmente de calça jeans e camisa social. No pescoço, uma correntinha de couro preto com uma cruz prateada. Caçula de oito irmãos, muito ligado à mãe, é mineiro de Formiga e vem de família pobre. Tem 37 anos e foi ordenado em 2001. Formou-se em Teologia e Filosofia e se pós-graduou em Educação e Teologia Sistemática. Foi professor universitário e hoje trabalha com a Pastoral Universitária. Canta desde menino. Chamado de "poeta de Deus", é compositor de Humano Demais e Filho do Céu, entre outras. Também grava canções de Fábio Jr. (Pai), e de Toquinho (O Caderno). É o principal nome da Talento Produções, especializada em artistas católicos. Segundo Heliomara, a renda da venda de produtos e shows é distribuída entre instituições das cidades pelas quais passa, a Fundação Ato Solidário, que apóia, e a diocese. Uma pequena parte vai para seu sustento. Na internet, há relatos curiosos a seu respeito. Em seu site, uma seção exibe fotografias que os fãs tiram com o padre e depois enviam, junto com mensagens. Uma delas, Ana Cristina Neves, de São Paulo, que esteve com ele em novembro do ano passado, escreveu: "Com suas palavras, ele conseguiu me tirar de uma depressão, por isso sou ?dependente?, ?viciada? em suas palavras. Tenho todos os CDs, livros e não perco um programa, pois ele realmente é minha ?direção espiritual?." Na comunidade do Orkut "Sou fã do Padre Fábio de Melo", uma moça gaúcha diz: "Ele foi um achado muito importante na minha vida, uma coisa inexplicável. Ele é tudo de bom". Melo diz que nunca enfrentou resistências em sua diocese por causa do trabalho como cantor. "A Igreja não se opõe a ninguém que esteja evangelizando. Por isso, busquei estudar e qualificar o meu discurso."