Um dia à procura do medicamento

Fabiane Leite e Brás Henrique, SÃO PAULO - O Estado de S.Paulo

Filha de 1,5 ano tem pneumonia

Mesmo com a receita nas mãos, ainda há dificuldade para a obtenção do medicamento contra a gripe suína em São Paulo.O consultor de vendas Jonas Fortunato, de 33 anos, perambulou durante o dia de ontem em busca da droga, receitada para o filho de 1 ano e meio. "Moro em Itaquera (zona leste da capital) e tive de vir até aqui", afirmava, logo após conseguir o medicamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. A criança, que tem bronquite crônica, apresentou os primeiros sintomas no sábado, passou por um serviço de saúde, mas depois piorou - até que, anteontem à noite, uma outra unidade particular identificou pneumonia.Na manhã de ontem, Fortunato foi ao primeiro local recomendado para receber a droga, um posto de saúde, mas não havia formulação pediátrica. Tentou ajuda em telefones das secretarias municipal e estadual da Saúde, sem sucesso. Acabou ligando por conta própria para o instituto e achou o remédio. "Vim correndo até aqui."TRATAMENTO INCOMPLETOEm Ribeirão Preto, a professora Maria Celeste Possebon, de 51 anos, recebeu inicialmente, na noite de quarta, apenas duas de dez cápsulas necessárias para o tratamento da filha.A Vigilância Epidemiológica informou que o controle foi para não acabar com o estoque do plantão noturno. A filha, Karen Azevedo, de 21 anos, sentiu os sintomas da gripe suína e tem bronquite. Ela foi atendida na unidade particular Hospital São Francisco.O resto do tratamento foi entregue ontem, retirado pela própria professora na Secretaria Municipal da Saúde. "Ainda estamos nos organizando", justificou Ana Alice de Castro e Silva, chefe da Divisão Epidemiológica da cidade.