Turistas desistem de seguir viagem

Emilio Sant?Anna - O Estado de S.Paulo

Para presidente de empresa de turismo, governo se precipitou

A recomendação do Ministério da Saúde para que sejam evitadas viagens para Argentina e Chile transformou as férias de muitos turistas brasileiros em dor de cabeça. De um lado, o receio causado pelo avanço no número de casos de gripe suína no país vizinho; do outro, um pacote de viagem já pago e a incerteza de reaver o dinheiro em caso de desistência. Ontem, foi dia de correr atrás de informações nas agências de turismo e órgãos de defesa do consumidor. O embarque da dentista Samira Badreddine, de 44 anos, para Bariloche - estação de esqui no Sul da Argentina - continua previsto para amanhã. Mas ela sabe que não vai estar no voo fretado pela agência de turismo CVC. "Tenho um filho de 5 anos, não vou colocar a segurança dele em risco", afirma. Desde terça-feira, quando soube da recomendação para não viajar, ela tenta negociar com a empresa uma saída. "Eles (a empresa) me falam que não há nada errado em Bariloche, que não há perigo de contágio e querem cobrar o valor do pacote", diz. "Como podem empurrar o cliente contra a vontade dele?" Não podem, garante a coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), Maria Inês Dolci. "O consumidor pode cancelar a viagem, pois é uma questão de segurança", afirma. Ela explica que o Código de Defesa do Consumidor prevê a alteração de cláusulas de um contrato já assinado caso esteja em risco a segurança do consumidor. Trata-se do princípio da precaução. "A empresa não pode cobrar qualquer tipo de multa, no máximo despesas administrativas para cancelar a viagem, como ligações telefônicas e fax. Mesmo assim tem de comprovar esses gastos", diz Maria Inês. Segundo o presidente da CVC, Valter Patriani, não há motivos para os cancelamentos. "É uma recomendação para pessoas com mais de 60 anos e para crianças de até 2 anos. A fronteira continua aberta", afirma. Para ele, houve precipitação na atitude do governo brasileiro. "O que esperamos das autoridades é que tomem uma atitude. Ou fecha a fronteira com a Argentina ou não", reclama. Sobre o problema de Samira, Patriani afirma: "Não há cobrança de multa. Ela deve nos procurar novamente. Se for voo fretado, a empresa cobra apenas a passagem aérea."