TPM para os casais

- O Estado de S.Paulo

Se não for resolvida, tensão pré-matrimonial pode atrapalhar a vida dos pombinhos

Já no século 15, o escritor espanhol Lope de Vega disse que "não é à toa que a diferença entre casado e cansado seja apenas uma letra". Para muitos casais, entretanto, o estresse se inicia bem antes da união das escovas de dente, ocasionando a temida tensão pré-nupcial (TPN) ou tensão pré-matrimonial (TPM).O problema pode começar por diversos motivos: a noiva teme não entrar no vestido, o noivo se irrita por gastar uma pequena fortuna com as lembrancinhas, ambos se indispõem com colegas de trabalho que insistem em se convidar para a cerimônia...Às vezes, é só um que está tenso e acaba passando o estresse para o outro. "Os homens, em geral, acabam vivendo sob tensão os meses que antecedem o casamento em conseqüência da ansiedade da noiva em relação à cerimônia", diz a psicóloga Karen Camargo, estudiosa do tema.Por uma questão cultural, são as mulheres quem consideram o casamento como "o grande dia". E recai sobre as moças a exigência de que tudo esteja perfeito no dia D.Para a psicóloga Anette Lewin, homens também ficam tensos, mas de forma diferente: pensam mais na perda da liberdade. "Tanto que, há algum tempo, usava-se a expressão ‘o homem vai se enforcar’ com o casamento", lembra a psicóloga.Segundo Anette, além das preocupações particulares de cada par, existem muitas em comum. O casal formado pela estudante Rachel Amâncio, 21 anos e pelo empresário Márcio Oliveira, 22, está unido até na TPM. Eles só se casam em julho de 2008 (isso significa em cima da hora) e todas as conversas dos pombinhos giram em torno da cerimônia.A principal preocupação é a festa. "Quero que o bufê esteja perfeito, que todos se divirtam e que ninguém beba além da conta", preocupa-se a noiva, que, como o noivo, não ingere álcool.As inquietações de Rachel, por enquanto, são só de ordem material. De acordo com Anette, a tensão pré-nupcial pode ser causada também pelo significado que a palavra "casar" tem na cabeça das pessoas. "Por ser uma passagem, as pessoas vivenciam a idéia de que, de um dia para o outro, tudo vai mudar e elas não saberão como agir. Nesse sentido, a melhor forma de diminuir o grau de tensão é conscientizar-se de que mudanças se fazem aos poucos. Ninguém acerta tudo nas primeiras tentativas, por mais que se prepare", aconselha.Para boa parte dos casais, o casamento já começou muito antes do ritual e vai continuar depois dele. Se a tensão aparece, no entanto, é importante dissipá-la. "Ela acaba gerando conseqüências ruins, que podem até se transferir para o dia-a-dia", alerta Karen. Além disso, há noivas que não conseguem relaxar antes da cerimônia e acabam comendo compulsivamente. O pesadelo de não entrar no vestido pode acabar se tornanado uma realidade.O conselho de Karen, para os casos mais graves, é uma terapia breve, que utiliza a metodologia da terapia cognitivo comportamental. "A noiva vai aprender a trabalhar os conflitos de forma direta", explica a psicóloga. A noiva sai ganhando: além de casar relaxada, a maquiagem não vai sair oleosa na foto.