Titulares da Saúde pedem transparência

Fabiane Leite - O Estado de S.Paulo

Conselho de secretários municipais defende divulgação de números

O problema das esperas para procedimentos como consultas com especialistas e cirurgias eletivas (aquelas que não são emergenciais, como uma cirurgia de catarata) é recorrente no SUS. Especialistas afirmam que a solução é de longo prazo - mas que, enquanto isso, o mínimo que os gestores podem fazer é dar transparência aos números sobre filas.O presidente do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde, Antônio Nardi, afirma que cidades pequenas conseguem passar os dados diretamente ao cidadão. "As grandes deveriam pelo menos informar os órgãos de controle social do SUS, como os conselhos municipais de saúde." Nardi avalia que medidas como mudanças na formação dos médicos e incentivos para que profissionais de saúde trabalhem na rede pública deverão ajudar, a longo prazo, a melhorar as filas.Jorge Kayano, especialista em saúde pública do Instituto Pólis, de São Paulo, destaca que é preciso voltar a investir na atenção básica, praticada pelos postos de saúde e pelo Programa Saúde da Família, que devem acompanhar as famílias e realizar ações preventivas. Nos últimos anos os gestores têm concentrado esforços em unidades como as AMAs, em SP, e UPAs, no resto do País, que visam só ao atendimento imediato de casos simples, como dor de garganta - o que pode gerar pedidos de consultas de especialidades e exames desnecessários, diz Kayano.Segundo o coordenador de média complexidade do Ministério da Saúde, Joselito Pedrosa, quando a regulação do atendimento funciona adequadamente nem é preciso divulgar as filas. "O paciente sai do posto com a data da consulta."ESPERANDOMarinalva BritoDona de casa"Já consegui fazer os exames, mas agora não tem médico para avaliar. Estou tomando anti-inflamatório por conta própria. Será que vai ser preciso perder o braço para conseguir o médico?"