Teste de H1N1 pode ter 50% de erro

Lígia Formenti e Emilio Sant?Anna - O Estado de S.Paulo

Ao falar da morte de jovem, diretor da Anvisa questiona exame; garoto teve gripe suína na excursão, diz agência

Os testes rápidos usados para detectar o vírus A(H1N1), causador da gripe suína, apresentam resultados incorretos em cerca de 50% dos casos. Esse pode ter sido o exame feito em Orlando (EUA) na estudante Jacqueline Ruas, de 15 anos, que morreu durante o voo de volta ao Brasil anteontem. Ela estava com pneumonia, segundo o Instituto Médico Legal (IML).O diretor de Portos, Aeroportos e Fronteiras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), José Agenor Álvares da Silva, afirmou ontem que o teste rápido apresenta índice de resultados incorretos expressivo. "É um exame questionável. A própria Organização Pan-Americana de Saúde afirma que o teste, em 50% dos casos, acusa resultado de falso negativo", explica. A jovem, que estava na Disney de férias, apresentou sintomas de gripe em 28 de julho, após outro garoto que participava da excursão ter apresentado os mesmos sintomas . Atendida no hotel, um dia depois Jacqueline tomou o medicamento Tamiflu pela primeira vez. No dia 30, queixando-se de falta de ar foi levada ao Celebration Hospital. Ali foi atendida, realizou um teste rápido para gripe suína e, depois de medicada, foi liberada para o voo de retorno. O resultado para gripe suína teria sido negativo. Ela morreu na viagem, uma hora antes de chegar a São Paulo. O voo fez uma escala no Panamá. Ao desembarcar naquele país, a jovem relatou aos responsáveis pela excursão que estava sentindo tonturas e cansaço e uma cadeira de rodas foi oferecida pela guia de turismo Gisela dos Santos.Nas três horas em que permaneceu no Panamá, a jovem não passou por nenhuma avaliação médica, a não ser a análise da própria guia de que a garota não tinha febre e poderia seguir viagem. A informação foi dada ontem, em São Paulo, por Filipe Fortunato, diretor executivo da agência Tia Augusta, organizadora da excursão. Após se queixar de tontura e cansaço, a garota disse que estava bem e não foi levada ao posto médico do aeroporto. Ele admite que a guia não têm treinamento médico, mas diz "confiar em sua experiência". "Achou-se que não era necessário passar pelo médico, pois ela teve apenas cansaço e tontura", diz. Segundo ele, a empresa espera obter o auxílio do Ministério da Saúde para que o hospital nos Estados Unidos torne público os procedimentos adotados no atendimento. O diretor da Anvisa diz que no Brasil seria pouco provável que a estudante conseguisse embarcar nas condições que apresentava. "Aqui é pouco provável que ela conseguisse embarcar. Mas não sabemos o protocolo de outros países", afirma. Segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, não há como afirmar ainda que houve erro. "Temos de aguardar os resultados dos exames."ALERTAJacqueline não foi a única a apresentar os sintomas de gripe na excursão. De acordo a empresa, "outros jovens já haviam apresentado os mesmos sintomas".Um menino de cerca de 11 anos, acompanhado pelos pais, teve diagnóstico positivo gripe suína."Ele foi isolado enquanto estava com os sintomas, recebeu o Tamiflu e depois de algumas horas já não tinha mais os sintomas e pode seguir viagem com o grupo", disse. Questionado sobre a segurança da decisão, Fortunato afirmou: "Foi uma decisão da família."