Teste de DNA ajuda na busca de raízes

Ron Nixon, The New York Times, Nova York - O Estado de S.Paulo

Mas exames genéticos têm resultados limitados ao determinar ancestrais e nem sempre clientes ficam sabendo

Henry Louis Gates Jr. tem um programa na rede PBS no qual explora os ancestrais de afro-americanos famosos usando exames de DNA. Ele fez mais do que qualquer outro para ajudar a popularizar os testes e as companhias que os oferecem. Recentemente, porém, esse professor de Harvard tornou-se um dos críticos do setor.Gates conta que em 2000 uma companhia lhe disse que seus ancestrais maternos provavelmente seriam do Egito, do grupo étnico núbio. Cinco anos depois, porém, um exame em outra empresa o espantou. Ele concluiu que seus ancestrais maternos não eram núbios nem mesmo africanos, mas, provavelmente, europeus.Cerca de 460 mil pessoas já fizeram genéticos para determinar sua ancestralidade ou expandir seu conhecimento de árvores genealógicas, segundo a revista Science. Registros do censo, certificados de nascimento e de óbito, narrativas de escravos e outros documentos tornaram-se acessíveis graças à internet, o que facilitou a investigação da história familiar. Para muitos, porém, a pista de papel ou digital eventualmente acaba. E para os que chegaram a esse ponto, os testes de DNA podem ajudar a descobrir a peça que falta do quebra-cabeça.As razões para realizar o teste variam. Para alguns, ele permite identificar ancestrais africanos depois que séculos de escravidão apagaram os vínculos com seus antepassados. Outros querem saber se têm laços com figuras históricas como Genghis Khan ou Maria Antonieta. Para outros, é uma tentativa de preencher lacunas em histórias familiares e encontrar primos distantes.A demanda gerou uma indústria. Quase duas dúzias de companhias oferecem agora esses serviços. Mas, à medida que crescia o número de empresas e clientes de testes, o mesmo aconteceu com o número de cientistas e pesquisadores como Gates, que questionam as afirmações que as companhias fazem sobre seus exames.Uma das questões mais polêmicas é a capacidade de os testes determinarem o país ou o grupo étnico de origem de afro-americanos ou de americanos nativos.Gates disse que sua experiência o levou a entrar em campo. Ele se ligou recentemente à Family Tree DNA, uma empresa de teste e genealogia, para oferecer testes genéticos e trabalho genealógico para afro-americanos. A nova empresa chama-se African DNA."Esperamos combinar os testes com registros genealógicos para tentar ajudar pessoas a descobrirem suas raízes", disse Gates. "As limitações dos testes de DNA implicam que não se pode confiar apenas neles. Esperamos colocar um pouco de ordem na área." Em editorial da Science em outubro, alguns cientistas e pesquisadores disseram que as companhias não estão explicando todas as limitações dos testes genéticos, ou o significado dos resultados.Os autores disseram que informações limitadas nos bancos de dados usados para comparar resultados de DNA podem levar a conclusões erradas ou à má interpretação dos resultados. Os testes rastreiam apenas alguns ancestrais do cliente e não podem dizer exatamente de onde eles são, ou a que grupo étnico específico pertenciam. "Meu receio é que o marketing esteja vindo antes da ciência", disse Troy Duster, um professor de Sociologia da Universidade de Nova York que foi consultor do Projeto do Genoma Humano e um dos autores do editorial da Science."Há pessoas tomando decisões de mudança de vida com base nesses testes sem conhecer as limitações", afirmou Duster. "Embora eu não creia que as companhias estejam deliberadamente enganando os clientes, elas podem ter um incentivo financeiro para dizer às pessoas o que elas querem ouvir." O teste, que custa entre U$ 100 e U$ 900, vem em duas formas. Uma delas analisa o DNA mitocondrial, que revela informações somente da linhagem materna da pessoa, pois o DNA mitocondrial é passado somente pelas mulheres. O segundo teste se ocupa do cromossomo Y, que só pode oferecer pistas sobre a linhagem paterna do cliente - e de forma que somente homens podem fazer o teste do cromossomo Y. Várias empresas oferecem também testes que examinam a contribuição ao DNA de ambos os pais, mas esse tipo de análise é muito controversa.