Termoelétricas podem quintuplicar emissões

Leonardo Goy, Brasília - O Estado de S.Paulo

A demora na concessão de licenças ambientais para a construção de hidrelétricas pode aumentar em cinco vezes a emissão de CO2 no País, por causa do aumento da geração de energia em termoelétricas, alerta o Instituto Teotônio Vilela, do PSDB, em relatório que analisa o Plano Decenal de Energia Elétrica, divulgado pelo governo em 2008. No plano, o governo calcula que até 2017 entrarão 20,8 mil megawatts (MW) de usinas térmicas, sendo que 7,5 mil MW em centrais movidas a óleo, mais poluentes. Com a expansão desse tipo de energia, autoridades do governo admitem que o volume de emissões de CO2 no setor elétrico passaria dos atuais 14 milhões de toneladas por ano para cerca de 39 milhões em 2017. A conta do instituto ressalta que, considerando a possibilidade de atraso nas obras de 36 hidrelétricas, as emissões de CO2 poderiam chegar a 75 milhões de toneladas anuais em 2017. Para chegar a esse número, o instituto levou em conta a expectativa de que o atraso faria com que cerca de 14 mil MW sejam substituídos por energia de térmicas. "O modelo do atual governo se caracteriza pelo aumento de geração de energia mais cara e mais suja, fazendo a hidroeletricidade recuar na matriz elétrica, sem ser substituída por fontes mais limpas", disse o presidente do Instituto Teotônio Vilela, deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES). Ontem, a Aneel divulgou dados que comprovam a tendência de expansão das térmicas. Dos 2.158 MW acrescentados ao sistema em 2008, 1.243 MW (57,64%) são gerados por essas usinas.