Terapias alternativas do SUS atraem classes A e B

- O Estado de S.Paulo

Márcia nunca precisou ser atendida numa Unidade Básica de Saúde (UBS). Também não sabe como é uma Assistência Médica Ambulatorial (AMA) e desconhece as filas de espera em hospitais da Prefeitura. Ainda assim, o nome Márcia Maria Barros Tavares está entre os 14 milhões de usuários dos serviços municipais de saúde do município de São Paulo. A dona de casa de 60 anos, moradora da zona leste, não é paciente fantasma. Apesar de ter plano de saúde e renda familiar que a insere na classe econômica A/B, Márcia recorre ao Sistema Único de Saúde (SUS) para praticar ioga e tai chi chuan. Assim como ela, 39,6% dos moradores que ganham mais de R$ 3 mil por mês são usuários dos serviços públicos de saúde, revela pesquisa do Ibope, encomendada pela Secretaria Municipal de Saúde. "Foi um número alto, que nos surpreendeu bastante", diz o secretário municipal de saúde, Januario Montone. "Não mapeamos quais serviços são utilizados por essa parcela da população, mas temos a percepção de que, além da retirada gratuita de medicamentos, boa parte recorre ao SUS para ter acesso às terapias alternativas, que ainda são caras no sistema privado." O Ibope ouviu 20 mil moradores da capital, entre dezembro e março. Cerca de 7.500 eram das classes A e B. Quatro em cada dez afirmaram usar as unidades municipais. Acostumada a pagar pelas aulas de ioga, Márcia não acreditou que ao lado da sua casa o procedimento era de graça. Os tratamentos alternativos ganharam espaço no SUS da capital. Só ano passado, foram 74.069 consultas de acupuntura, 30.636 de homeopatia e já em 2008 foram formados em UBSs 774 grupos de tai chi chuan, meditação e ioga. Márcia é só elogios para o serviço. Pelo menos nessa área, ela dá nota 10 ao SUS.