Terapia pode elevar a longevidade em 80%

Efe, Madri - O Estado de S.Paulo

Cientistas espanhóis testaram em ratos que sofriam de envelhecimento precoce, ou progeria, um tratamento que aumentou em 80% a longevidade dos animais. A terapia, considerada um "marco científico" por especialista, poderá ter aplicação imediata em seres humanos. O tratamento consistiu basicamente na administração periódica de uma estatina (remédio utilizado para controlar os níveis de colesterol) e aminobifosfonatos (medicamentos para o tratamento de osteoporose e de alguns tipos de tumores). A aplicação imediata em humanos é possível pela experiência no uso desses medicamentos, que têm poucos efeitos colaterais, disse o professor de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade de Oviedo, Carlos López-Otín. O cientista é responsável pelo trabalho, publicado na edição digital da revista Nature Medicine (www.nature.com/nm). A progeria é uma síndrome "muito pouco freqüente, mas devastadora e terrível", segundo López-Otín, que adverte que a expectativa de vida dos pacientes que sofrem de sua forma mais comum, a síndrome de Hutchinson-Gilford, é de menos de 20 anos. Os resultados do tratamento descrito pelos cientistas confirmaram uma melhora do estado geral dos ratos, que recuperaram peso e aumentaram significativamente a longevidade nos experimentos realizados. É iminente o início de um teste clínico baseado nessas experiências que será dirigido pelo médico Nicolás Levy, na França, com a participação de pacientes europeus afetados pela síndrome. Além de melhorar a vida dos portadores, o tratamento descrito é interessante do ponto de vista biológico, pois pode proporcionar dados sobre os mecanismos responsáveis pelo envelhecimento normal e sua ligação com doenças como o câncer.