Teatro Apollo, onde tudo começou

Gustavo Chacra - O Estado de S.Paulo

Em Nova York, fãs aglomeram-se no Harlem, evocando a época em que Michael e os irmãos iniciaram a carreira

O ponto de encontro para os fãs de Michael Jackson se despedirem do ídolo em Nova York foi o tradicional teatro Apollo, no Harlem, onde o cantor, junto com seus irmãos do Jackson Five, começou a carreira no concurso de calouros que ainda atrai aspirantes a astros todas as quartas.   Jornalistas falam do legado do cantor na TV Estadão Moradores desse bairro de Manhattan, somados a alguns turistas, em meio a dezenas de jornalistas, se reuniram poucas horas depois do anúncio da morte. Mas não em número suficiente para fechar a rua diante do teatro. A calçada comportava todos. Um grupo de 20 ou 30 fãs cantava e dançava músicas do ídolo. Um número igual de câmeras de TV ou mesmo de amadores os filmava sob os letreiros do Apollo com os dizeres "Em memória de Michael Jackson, uma verdadeira lenda do Teatro Apollo". Alguns faziam cara de triste especialmente para dar entrevista e saíam sorridentes em seguida. Chegavam até mesmo a ensaiar com os jornalistas uma cena de tristeza, como carregar vela e abraçar os amigos como se tivessem perdido um parente próximo. Outros aproveitavam a ocasião e as câmeras para tentar se exibir e ter alguns segundos de fama. Bastava dizer que o repórter era do Brasil para eles pedirem para que abraços fossem enviados e darem gritos de "I love Brazil". Modelos diferentes de camisetas com as datas do nascimento e da morte do cantor (1958- 2009) eram vendidas na porta e poucos turistas as compravam. Custavam de US$ 10 a US$ 20 e estavam em sacos de plástico. No metrô, em uma estação próxima ao teatro Apollo, localizado na rua 125, entrou um grupo de meninas cantando uma música dele. Algumas lojas do Soho colocaram a trilha sonora do cantor para homenageá-lo nas horas depois da morte. O mesmo ocorreu hoje em uma academia de ginástica do West Village. No Times Square, em alguns dos vários letreiros eram dadas informações com as últimas notícias da morte do astro. IMPRENSA LOCAL O The New York Times tampouco dedicou muito espaço para a morte do cantor. Hoje, uma foto de Michael Jackson ocupava quatro colunas. A notícia da morte, em fonte pequena, estava longe de ter o mesmo impacto de acontecimentos históricos, como a eleição de Barack Obama. Dois outros assuntos também estavam no topo da página, em uma coluna cada um - a visita do governador da Carolina do Sul à sua amante argentina e uma reportagem sobre o premiê do Iraque, Nuri al Maliki. Dentro, apenas uma página e um quarto de outra foram reservados para Michael Jackson. O Wall Street Journal, que cobre principalmente economia, deu uma pequena nota na primeira página com um texto interno de meia página. O tablóide New York Post foi o que dedicou mais espaço. Nas TVs, desde a noite de quinta, o assunto que dominava os programas era a morte de Michael Jackson. Mas a comoção estava longe de ser como a dos brasileiros quando perderam Ayrton Senna ou mesmo os Mamonas Assassinas.