Suspeito de matar médico é preso

AFP e AP - O Estado de S.Paulo

Vítima coordenava clínica para interrupção de gravidez nos EUA

Um homem suspeito de matar a tiros o responsável por uma clínica de abortos nos Estados Unidos foi preso no fim de semana. Scott Roeder, de 51 anos, estava a 270 quilômetros do local do crime e é acusado de matar o médico George Tiller, de 67 anos, quando ele acolhia fiéis na entrada de um culto da Igreja Luterana da Reformação, em Wichita, no Kansas. Segundo testemunhas, o assassino atirou em Tiller e ameaçou duas pessoas que tentaram impedi-lo. Tiller foi um dos médicos mais criticados dos EUA por realizar abortos. Ele coordenava uma das três clínicas do país que realizam abortos tardios - depois da 21ª semana, quando o feto já conseguiria sobreviver fora do útero. Em 1985, uma bomba explodiu na sua clínica. Em 1993, um ativista atirou nos seus braços. O irmão do suspeito, David Roeder, afirmou a um jornal local que a família está "chocada com a morte do dr. Tiller" e o possível envolvimento de Scott. David disse que o suspeito tem um histórico de problemas mentais. A promotora Nola Foulston deve decidir hoje se apresenta acusação contra Roeder. A Igreja Católica americana condenou o assassinato do médico. "Nossa conferência episcopal denuncia publicamente todas as formas de violência, tanto o aborto como o equivocado recurso à violência de quem se opõe ao aborto", afirmou o cardeal Justin Rigali. A Organização Nacional de Mulheres, favorável ao aborto, pediu ações mais duras contra o que chamou de "terroristas internos" responsáveis pela morte de Tiller. ESPANHA Cerca de 40 associações católicas espanholas manifestaram-se contra o aborto e convocaram uma manifestação para o dia 17 de outubro contra a reformulação proposta pelo governo espanhol que ampliaria a legislação relacionada ao tema. Em outubro, o parlamento espanhol pretende examinar o projeto de lei que fixaria em 14 semanas o período da gestação em que não haveria restrições para o aborto. A proposta também elimina a necessidade de consentimento dos pais para a interrupção da gravidez em jovens.