Surgido há 10 anos, o fenômeno dos blogs transforma todos em autores

- O Estado de S.Paulo

A blogosfera é infinita em sua capacidade de absorver novos integrantes. Seria habitada atualmente por 70 milhões de blogs. A cada dia são criados mais 120 mil, pelas projeções do site especializado Technorati. Esse universo, que tem mostrado um crescimento em projeção geométrica, nasceu acidentalmente quando um programador de computador, o americano John Barger, resolveu preencher o seu cotidiano colocando links e comentários em seu site Robot Wisdom. Fez isso há dez anos. Barger batizou a sua coluna diária de assuntos gerais de ''''weblog'''', algo como ''''registro da web''''. Ela era dividida em temas como ''''diversão'''', ''''rede'''', ''''arte'''', ''''tecnologia'''', ''''história'''', ''''ciência'''' e ''''compras''''. O nome, reduzido para blog, pegou e, dez anos depois, a chamada blogosfera é tema de debate e estudos acadêmicos. Serviços gratuitos especializados em blogs, como o Wordpress e o Blogger, derrubaram as barreiras técnicas e econômicas para que cada internauta passasse a ser um autor na internet. Existem pesquisas analisando a extensão do fenômeno. Caso, por exemplo, do livro do pesquisador Daniel Drezer, da Universidade de Chicago, que apresenta os blogs como os fóruns políticos da contemporaneidade, em The power and politics of blogs. A razão do fascínio desse espaço eletrônico gira em torno do poder multiplicador das opiniões ali endereçadas. Uma espécie de revisitação da ágora dos tempos greco-romanos. Um espaço público a que todos têm acesso. Um canal aberto para todo o tipo manifestação. Sem censura ou filtro. Todo esse potencial de crescimento abre outras questões: Quem são os receptores de toda essa oferta de palpites, opiniões e informações que circulam na rede? E que efeitos esse canal democrático de expressão promove? Os blogs já têm sido incorporados por grandes grupos empresariais, como um instrumento a mais de aproximação com funcionários e consumidores. Até mesmo executivos e dirigentes investem nesses canais de comunicação. Na pauta sobre o futuro dos blogs também está o papel do jornalismo tradicional, tido até a entrada deles em cena, como uma espécie de guardião da transmissão de notícias e da hierarquização de sua importância para o leitor. Hoje, a primeira página dos portais de notícias deixou de ser a única entrada para a informação. Muitos leitores chegam às notícias publicadas por esses portais por outros meios, como blogs, listas de discussão e por buscadores como o Google e o Yahoo.