SP terá concurso para 60 mil professores

Simone Iwasso - O Estado de S.Paulo

Pacote prevê prova de seleção para temporários e curso antes de o docente dar aulas

Pacote anunciado ontem pelo governo de São Paulo prevê a criação de um curso de quatro meses e uma prova para todos os ingressantes no magistério da rede estadual a partir do próximo concurso público. A previsão é de que 60 mil vagas sejam abertas no próximo semestre. Conforme o Estado antecipou ontem, os professores temporários serão selecionados por meio de uma prova anual.Apenas os aprovados serão incorporados ao quadro de efetivos e poderão dar aulas. O pacote traz vários decretos e projetos de lei, que deverão ser aprovados pela Assembleia Legislativa para entrar em vigor. Para fornecer esses cursos, será criada a Escola de Formação de Professores de São Paulo. Haverá convênios com universidades públicas para ministrar os cursos, sendo que parte deles a distância e o restante em aulas presenciais.A outra novidade foi a manutenção da prova para seleção de professores temporários - aplicada pela primeira vez em dezembro e suspensa pela Justiça no início do ano. Agora, assim que for aprovado, o exame deverá ser feito todos os anos e só os aprovados poderão lecionar. Quem tiver desempenho insuficiente permanecerá na rede, mas com uma carga horária menor, de 12 horas, e em funções auxiliares, como monitores de bibliotecas. Com isso, o governo espera conseguir seguir adiante com a ideia da prova, já que manterá 80 mil temporários que atuavam na rede antes de 2006. O argumento do sindicato da categoria (Apeoesp) para conseguir cancelar a prova na Justiça foi o de que, com a Lei nº 1.010/07, que criou a SPPREV, todos os temporários passaram a contribuir e, com isso, ganharam estabilidade."Os professores vão receber uma forte injeção de conhecimentos, em vez de ficarem apenas tomando cursos ao longo da sua carreira, que não são objeto de avaliação", afirmou o governador José Serra (PSDB). Ele também criticou as faculdades de Pedagogia, que, segundo Serra, não ajudam a melhorar a educação. "Você vê uma lista de teses dessas faculdades e pouca coisa pode ser aproveitada pela educação", afirmou.O governador e o secretário de Estado da Educação, Paulo Renato Souza, enfatizaram que será preciso agora um trabalho dos deputados na Assembleia para aprovarem os projetos de lei, até mesmo o que cria as novas vagas. A expectativa é de que, se for aprovado logo, em setembro ou outubro poderá ser feito o concurso para 60 mil professores (50 mil novas vagas e outras 10 mil existentes na rede).A presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha, afirmou que o departamento jurídico do sindicato está estudando as medidas. "Estamos estudando e precisamos de mais detalhes dessas medidas", disse. "Mas com certeza 60 mil vagas é insuficiente", disse. ENSINO MÉDIOQuestionado sobre as mudanças propostas pelo Ministério da Educação (MEC) para o ensino médio, com quatro grandes áreas em vez das 12 disciplinas atuais, o secretário afirmou ser ideia dele. "Isso já existe, é ideia minha", disse. "Estão reinventando o que já está inventado", completou. Segundo o secretário, as propostas do MEC constam de uma resolução de 1998 do Conselho Nacional de Educação (CNE). Na época, Paulo Renato era ministro da Educação do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). O MEC não comentou as declarações. FRASESJosé SerraGovernador de São Paulo"Os professores vão receber uma forte injeção de conhecimentos, em vez de ficarem apenas tomando cursos ao longo da sua carreira, que não são objeto de avaliação"O PACOTE Concurso: Um dos projetos prevê a criação de 50 mil vagas para professores da rede estadual. Há outras 10 mil disponíveis. A expectativa é de que seja feito um concurso para esses postos no segundo semestre deste anoProva: Outro projeto institui uma prova anual para atribuição de aulas para professores temporários. Quem não tiver um desempenho considerado suficiente não poderá dar aulas. Deverá permanecer na rede com uma carga horária menor, em uma atividade auxiliar, como em bibliotecas Escola: Por meio de decreto, foi criada a Escola de Formação de Professores de SPJornadas: Outro projeto prevê a criação de mais duas jornadas para os professores, além das atuais de 24 e 30 horas semanais. Para a de 12 horas, o salário mínimo será de R$ 580; para a de 40 horas, R$ 1.900Números: Há 210 mil professores. Desses, cerca de 110 mil são temporários, sendo 80 mil temporários com estabilidade