Souvenir gastronômico

Fabiana Caso - O Estado de S.Paulo

Que tal levar para casa um prato artístico após uma boa refeição? Essa é a proposta da Associação da Boa Lembrança

Quando as pessoas viajam, geralmente trazem um souvenir para lembrarem dos bons momentos. Na Itália, desde os anos 60, virou costume levar um prato artístico de cerâmica depois de degustar uma receita memorável. Há 15 anos, o italiano de Parma, Danio Braga, trouxe a idéia para o Brasil. Fundou a Associação da Boa Lembrança, que hoje tem 98 restaurantes associados e congrega cerca de 1.800 colecionadores, pelo clube que mantém na internet: www.boalembranca.com.br. "A idéia inicial era fomentar o turismo gastronômico", justifica Danio, que hoje é vice-presidente da Associação. Ele mora no Brasil há 30 anos e é proprietário do restaurante e pousada Locanda della Mimosa, na região serrana do Rio de Janeiro. "Pode-se curtir e apreciar cada prato, levando uma lembrança artística para casa." O artista de Piracicaba Bric é quem desenha os pratos de cerâmica e os pinta à mão, com motivos de comida. Funciona assim: é escolhida uma receita especial no cardápio do restaurante associado, e quem a degusta ganha o prato decorativo. A cada ano, é criado um novo prato para cada restaurante, e muda-se também a receita escolhida. Entre os muitos restaurantes associados da capital paulista estão o Nakombi e o Terraço Itália, para ficar em dois exemplos. Além da curiosidade da lembrança, a Associação exerce um controle de qualidade. Afinal, para ser associado, o restaurante deve seguir alguns critérios. Como, por exemplo, estar em funcionamento há mais de três anos, com o proprietário à frente do negócio. Só depois de uma visita e vistoria dos diretores da Associação - quando comprovam a qualidade da comida - é que os restaurantes são aprovados como integrantes. "A comida é um prazer, e nada melhor do que ter indicações de bons restaurantes quando vamos viajar", comenta Danio. COLECIONADOR Um dos quatro brasileiros que têm a coleção completa dos pratos já feitos pela Associação da Boa Lembrança é o empresário Giovani César Rossi Mariotto, de 53 anos, morador de Fortaleza. Há cerca de dez anos, ele ganhou por acaso um dos pratos da Associação, quando degustou, no restaurante Oficina do Saber, em Recife, uma receita memorável de "jerimum" (abóbora). Depois, em Fortaleza, ganhou outro prato: do restaurante Moana. Achou que ficava bem colocar aqueles dois pratos na parede do deck da sua casa, mas sentiu a necessidade de outros. Retornou, então, ao Moana e se informou com o gerente sobre a Associação. Foi assim que começou a comprar pratos pelo site. Adquiriu 20, depois 50 e, de repente, chegou a 300! A história inverteu-se: começou a ampliar o deck para expor todos os pratos. Pagou caro por pratos raros, como os feitos para eventos comemorativos, como a refeição inaugural da primeira classe de um vôo da Varig. Depois de seis meses "caçando" pratos decorativos, conseguiu completar a coleção. Hoje, Giovani tem mais de 670 peças, todas expostas. "Virou uma mania e não vai terminar nunca", fala. "Além dos pratos, trocamos idéias sobre os restaurantes de todo o Brasil."