Sindicato é contra pedido de ajuda para outros Estados

Fabiana Cimieri e Talita Figueiredo, RIO; Elder Og - O Estado de S.Paulo

O Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SindMed) vai denunciar o governo estadual ao Tribunal de Contas por improbidade administrativa, por ter convocado médicos de outros Estados para atender à população com dengue. O governador Sérgio Cabral criticou a decisão. Segundo ele, este é o momento de "parar com o discurso sindical" e "de deixar de lengalenga e começar a trabalhar".O governador afirmou ontem que a vinda dos pediatras de outros Estados é "fundamental". Segundo ele, o Rio vai pedir ajuda também às universidades para fornecer médicos residentes. "Este é um momento de esforço concentrado", afirmou.O presidente do SindMed, Jorge Darze, classificou a convocação como uma "fanfarronice sem conteúdo e sem respaldo legal". Segundo ele, é um erro o secretário de Saúde Sérgio Côrtes dizer que não há pediatras no mercado. "O que eles não querem é trabalhar nessas condições", afirmou. Um caminho para aumentar o número de atendimentos, segundo Darze, seria o Ministério da Saúde ampliar a carga horária de 900 médicos, de 20 horas para 40 horas semanais. "Eles já estão nos hospitais federais municipalizados e conhecem o trabalho."Para o sindicalista, o governo não pode gastar recursos estaduais para trazer médicos de fora, pagando mais do que pagaria aos profissionais fluminenses. Enquanto no Rio um médico do Estado ganha R$ 150 por um plantão de 12 horas, a Secretaria Estadual de Saúde está oferecendo R$ 500, passagem e hospedagem para quem vem de fora. "Eles ainda precisariam de uma inscrição provisória no Conselho Regional de Medicina (Cremerj), que demora três meses para ser expedida", disse.O Rio Grande do Sul enviará uma equipe de 15 a 20 pediatras ao Rio. Outros Estados do País, entre os quais Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas e Mato Grosso do Sul, farão o mesmo. A informação é do secretário da Saúde do Rio Grande do Sul e presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), Osmar Terra.A rede de solidariedade foi montada nesta semana, depois de Terra receber um pedido de ajuda do secretário da Saúde do Rio, Sérgio Côrtes. "Eles precisam de 150 pediatras e creio que poderemos chegar perto desse número", avaliou Terra, referindo-se à oferta que diversos Estados farão. Segundo o presidente do Conass, é possível que só os Estados que estão enfrentando surtos de dengue em seus territórios não enviem médicos ao Rio.No caso do Rio Grande do Sul, Terra pediu que pediatras de hospitais públicos e filantrópicos se ofereçam voluntariamente para a missão. Os inscritos serão reunidos na próxima sexta-feira e deverão viajar no domingo para o Rio. A idéia inicial é substituir as equipes a cada 15 dias.