Saída do círculo vicioso está no ensino fundamental

Marcia Vieira, jornalista - O Estado de S.Paulo

ANÁLISE

A péssima avaliação dos cursos de Pedagogia divulgada pelo Ministério da Educação revela o tamanho da tragédia da educação brasileira. Vivemos um círculo vicioso. Basta se perguntar quem quer ser professor hoje. Os filhos da elite e da classe média, que estudam em bons colégios particulares, fogem da carreira.

Professor não tem prestígio na sociedade. Os salários estão abaixo dos oferecidos a médicos, advogados, economistas. As vagas nas faculdades de Pedagogia atraem os filhos de classes mais baixas. Não só porque é fácil passar no vestibular, mas por não faltar emprego. O País vive uma carência de professores em todos os níveis da rede pública. Justamente por isso a baixa qualidade dos cursos de Pedagogia compromete os resultados da educação brasileira. Eles formam mal os professores que vão ensinar nas escolas públicas. Na opinião de educadores, a saída do círculo vicioso está no ensino fundamental. Ou o Brasil investe nisso ou vai continuar com resultados pífios.

A Pontifícia Universidade Católica do Rio, que tem o melhor curso de Pedagogia do País, com a nota máxima, mostra que há esperança para mudar o quadro. Quase 100% dos seus alunos são bolsistas, vindos de parcerias com vestibulares comunitários da Baixada Fluminense, bolsão de pobreza do Rio. São jovens que estudaram em colégios públicos e chegaram a uma das universidades mais caras do Rio incapazes de entender os textos teóricos que precisam ler. Cometem erros primários, como de concordância verbal, e têm dificuldade para escrever.

Mas a PUC consegue fazer com que em quatro anos eles saiam preparados para passar o conhecimento adiante.

Zaia Brandão, doutora em Educação e professora de Pedagogia da universidade, resume este esforço conjunto do aluno e do professor. "Esses jovens não tiveram um ensino fundamental decente. Sonegar isso de novo, na faculdade, seria uma enorme injustiça social."