Rótulo de alimento não informa sobre gordura

Fernanda Aranda - O Estado de S.Paulo

Pesquisa diz que produto para criança ?esconde? informação do risco de obesidade infantil

Pesquisa do Instituto Adolfo Lutz atestou que rótulos de alimentos preferidos por crianças "escondem" as informações sobre o risco da obesidade infantil. Análise de 153 embalagens de bolachas, bombons e salgadinhos mostra que nenhuma contém todas as informações corretas sobre sódio e gordura, que em excesso causam danos à saúde. O índice de erro chegou a 75% das amostras.O estudo será publicado na Revista de Saúde Pública. A autora da análise, Cássia Lobanto, pesquisadora da divisão de alimentos do Lutz , conta que selecionou os produtos que mais aparecem nas cantinas das escolas. Entre os reprovados estão alguns que uma lei aprovada na quarta-feira pela Assembleia Legislativa de São Paulo quer banir das escolas particulares e públicas do Estado (mais informações nesta página).Segundo o estudo, o principal motivo para a reprovação das embalagens é erro nas informações nutricionais. O mais recorrente é que a quantidade de gordura e sódio declarada é menor do que a atestada nas análises em laboratório. "A informação nutricional correta ajudaria as mães, por exemplo, a saber a composição real da dieta das crianças, se os filhos não estão ingerindo sódio ou gordura em excesso", diz Cássia.Os produtos foram colhidos pela equipe da vigilância sanitária estadual em fábricas na capital paulista entre 2001 e 2005. Neste período, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a adequação e a informação correta nos rótulos dos alimentos. As empresas ainda estão no prazo para fazer as mudanças. A pesquisa do Lutz não é a única que atesta a inadequação da rotulagem dos alimentos. A nutricionista Elaine Occhialini, que trabalha na Escola da Vila, na zona oeste, também analisou produtos levados pelos estudantes e reprovou o que encontrou. Segundo ela, os achocolatados em caixinha ofereciam metade do cálcio indicado e, de nove marcas de bolachas, sete tinham o dobro de gordura e sal do que o recomendado.A qualidade de vida das crianças, mostram estudos nacionais e internacionais, está cada vez mais ameaçada por problemas relacionados à má nutrição. Os índices de sobrepeso e obesidade já estão na casa dos 34%, segundo avaliação da Faculdade de Saúde Pública feita com 450 crianças paulistanas; o colesterol deixou de ser problema exclusivo de adultos e está em quatro em cada dez adolescentes monitorados por pesquisa da Unicamp. Hipertensão e diabetes também já fazem parte do cenário infantil.O professor Benjamin da Silva, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de São Paulo (Sieesp), diz que só com educação alimentar, ministrada nas escolas, "estes índices serão revertidos".