Ritmo da epidemia de gripe dá indício de queda

Fabiana Cimieri, Elder Ogliari e Alexandre Gonçalv - O Estado de S.Paulo

Governo e médicos, porém, acham prematuro anunciar fim da fase mais crítica da doença

Desde a semana passada, os serviços de saúde para pessoas com sintomas gripais vêm registrando um número menor de atendimentos do que na segunda quinzena de julho. Especialistas e autoridades, porém, são cautelosos e afirmam que só com o quadro das próximas semanas será possível confirmar a tendência de queda.Em nota divulgada ontem, o Ministério da Saúde aponta a "diminuição no número absoluto de casos graves pelo novo vírus" na semana entre 9 e 15 de agosto. O texto ressalva que a "observação pode não refletir a realidade", pois nem todos os municípios e Estados atualizaram a base de dados do ministério. Mesmo assim, a tendência é considerada "um indicativo preliminar de que a doença pode estar recuando".Segundo o diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, David Uip, a fase aguda da epidemia ocorre depois de três a quatro semanas após o registro dos primeiros casos."O plano de contenção do Ministério da Saúde adiou a fase aguda para 80 dias depois dessas notificações iniciais", afirma Uip. Segundo ele, isso contribuiu para que a taxa de letalidade da nova gripe seja menor no Brasil do que em outros países. "Estamos mais próximos do fim do inverno e da chegada da vacina", explica, acrescentando que a pandemia deve ter duração de três a quatro meses. SEMPRE ALERTAUip acredita que ainda é precipitado afirmar que está havendo um arrefecimento da pandemia no País. "O adiamento da volta às aulas e o aumento da temperatura podem ter influenciado uma redução momentânea. Aconselho às pessoas a não baixarem a guarda."O movimento nos centros estaduais de referência para atendimento da gripe no Rio caiu 30% em relação às duas primeiras semanas de julho. No entanto, a Secretaria Estadual de Saúde alerta que ainda não é possível avaliar se a epidemia está regredindo. Segundo técnicos, a queda na procura por atendimento pode estar relacionada à elevação da temperatura na última semana.No Rio Grande do Sul, onde a epidemia começou, técnicos da secretaria estadual afirmam que houve uma redução de 26,7% nas notificações de casos suspeitos na primeira semana de agosto, em relação à última de julho.O número de atendimentos e internações em UTIs caiu em cidades como Uruguaiana, Passo Fundo e Santa Maria, onde ocorreram os primeiros casos, e também em Porto Alegre. Em Pelotas e Rio Grande, a situação permaneceu estável.