Risco de gripe suína deixa creche fechada por dez dias

Fabiane Leite e Tatiana Fávaro - O Estado de S.Paulo

Funcionária da escola em Campinas está com a doença; ação é preventiva

Uma creche que atende 30 crianças em Campinas (a 90 km de São Paulo) ficará fechada por precaução durante dez dias em razão da confirmação de que uma funcionária do local está com gripe suína. A medida, adotada pela primeira vez no Brasil desde que os casos começaram a aparecer, foi anunciada ontem à noite pelo Ministério da Saúde. Não havia, porém, evidência de que as crianças tenham sido contaminadas. Elas estão sendo monitoradas. Mais informações sobre a gripe suína no Brasil e no mundo A funcionária, que passa bem, contraiu a doença de um homem de Vinhedo que chegou doente do exterior. O nome da creche não foi divulgado. "A interrupção das aulas é parte do controle estratégico da doença", disse o secretário da Saúde de Campinas, José Francisco Kerr Saraiva. Em nota, o ministério enfatizou que não há evidência de transmissão sustentável do vírus A(H1N1) no País, isto é, não há surto ou epidemia da doença. No total, 21 casos foram confirmados no Brasil, principalmente em São Paulo (9) e no Rio de Janeiro (5). No total, sete casos são de transmissão autóctone (ocorrida dentro do País). Especialistas ouvidos pela reportagem consideraram a medida correta e afirmaram que, antes de a mulher apresentar sintomas, não seria adequado impedir sua ida ao trabalho. Porém, destacaram que crianças, se contaminadas, são um dos principais fatores que contribuem para a disseminação do vírus da gripe. "Não se pode segurar os contatos, se eles não têm sintomas. Mas a amplificação (da doença) é muito grande se o vírus é passado para crianças, não se sabe bem o porquê. Uma das hipóteses é de que a criança não tem histórico de tantas gripes. Nela, a quantidade de vírus no organismo é maior, então ela dissemina mais a infecção", diz o infectologista Celso Granato, da Universidade Federal de São Paulo. O Ministério da Saúde também informou ontem que já discute com os governos estaduais internar somente as pessoas com suspeita de gripe suína que estejam em estado grave ou que sejam de grupos de risco, como crianças. Atualmente, mesmo os casos suspeitos que têm sintomas leves são internados. De acordo com a ideia em discussão, os suspeitos leves poderiam ser acompanhados em casa, como ocorre hoje com casos em monitoramento. A mudança serviria para adequar a oferta de leitos a um eventual aumento de casos no Brasil. "Defendi desde o início esta medida. O tratamento deve ser igual ao de outras doenças infecciosas. Internação só para casos graves", afirma o diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, David Uip. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, deverá fazer uma visita ao local hoje. "A expectativa é de que o ministério mude o critério ainda hoje", disse Uip. SAIBA MAIS A influenza A(H1N1) é uma doença respiratória aguda (gripe), causada por um novo subtipo do vírus A transmissão ocorre de pessoa a pessoa, principalmente por meio de tosse ou espirro e de contato com secreções respiratórias de infectados Os sintomas são febre alta e repentina (maior que 38°C) e tosse. Pode ocorrer dor de cabeça, dores musculares e nas articulações e dificuldade respiratória Se a pessoa apresenta sintomas, deve permanecer em repouso e tomar bastante líquido. Contato com outras pessoas deve ser evitado. Ligue para um médico ou unidade de saúde. Caso tenha de se deslocar, cubra o nariz e a boca Como ainda não há vacina, evite contato com pessoas com febre ou tosse; lave as mãos frequentemente; alimente-se bem Para o tratamento, há um antiviral (fosfato de oseltamivir) disponível na rede pública, mas que só faz efeito se tomado até 48 horas após os sintomas