Rio recolhe livro com gravuras de tortura indígena

Fabiana Cimieri, RIO - O Estado de S.Paulo

Obra didática de história para 4.ª série traz ilustração de índios tupis executando inimigos

A Secretaria Municipal da Educação do Rio determinou o recolhimento do livro didático de história, usado em algumas escolas para alunos do 4º ano do ensino fundamental, por considerar inadequada uma ilustração que mostra índios tupis executando seus inimigos para vingar seus antepassados.A gravura aparece em um capítulo que se propõe a ensinar os rituais das tribos indígenas do século 16, na Coleção Projeto Pitanguá, da Editora Moderna. "É inaceitável que falhas como essa ocorram. Consideramos esse tipo de imagem inadequada e já estamos recolhendo os exemplares desse livro", afirmou, em nota, a secretária municipal da Educação, Claudia Costin, ressaltando que os pais também podem devolver os livros às escolas. Os livros utilizados na rede de ensino do Rio são escolhidos pelo próprio professor por meio de uma lista elaborada e avaliada pelo Ministério da Educação (MEC), via Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).Segundo a secretaria, está sendo feito um levantamento nas escolas da rede para saber quantos exemplares foram adotados.REPRODUÇÃO DE GRAVURATambém em nota, a Editora Moderna informou que todas as ilustrações do livro são reproduções de pinturas ou gravuras históricas presentes em museus, bibliotecas e acervos públicos. "Por se tratar de material histórico, inserido num livro de estudo de história, as ilustrações devem ser analisadas dentro de seu contexto de época e cultura."Este é o mais recente caso de uma série de polêmicas envolvendo livros didáticos ou paradidáticos contendo erros ou conteúdo considerado inapropriado para a faixa etária dos alunos que receberam as obras. Em Santa Catarina, recentemente, uma obra para alunos de 15 a 18 anos foi recolhida por conter conteúdo considerado inadequado (sexo e palavrões). O governo havia comprado 130 mil exemplares do livro Aventuras Provisórias, de Cristóvão Tezza, que mostra o reencontro de um jovem com um amigo de infância, saído dos porões da tortura do regime militar.Em São Paulo, após polêmicas, a Secretaria de Estado da Educação revisou os 818 livros que faziam parte do programa Ler e Escrever e retirou da lista 6 deles. O primeiro foi a obra Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol, coletânea de cartunistas brasileiros com referências a sexo e crime organizado enviada para alunos da 3ª série do fundamental.O segundo foi Poesia do Dia - Poetas de Hoje para Leitores de Agora. O problema foi um dos poemas da coletânea, de Joca Reiners Terron, chamado Manual de Autoajuda para Supervilões. O texto, construído sobre ironias, começa com a frase: "Ao nascer, aproveite seu próprio umbigo e estrangule toda a equipe médica/É melhor não deixar testemunhas." O texto continua no mesmo tom: "Não vá se entusiasmar e matar sua mãe/Até mesmo supervilões precisam ter mães." Em outro trecho, diz: "Nunca ame ninguém. Estupre". Os outros títulos são: Um Campeonato de Piadas, de Laert Sarrumor e Guca Domenico, por conteúdo preconceituoso; O Triste Fim do Menino Ostra, de Tim Burton; Memórias Inventadas - A Infância, de Manoel de Barros; e Manual de Desculpas Esfarrapadas, de Leo Cunha, estes três por inadequação para a faixa etária.ACUSAÇÃO E DEFESACláudia CostinSecretária municipal de Educação do Rio"É inaceitável que falhas como essa ocorram. Consideramos esse tipo de imagem inadequada e já estamos recolhendo os exemplares desse livro"Nota da Editora Moderna"Por se tratar de material histórico, inserido num livro de estudo de história, as ilustrações devem ser analisadas dentro de seu contexto de época e cultura"