Rio ainda colhe os frutos por ter sido capital

Márcia Vieira, RIO - O Estado de S.Paulo

O bom resultado do Rio, que tem três escolas entre as dez de melhor desempenho no Enem, não é recente. Tradicionalmente, colégios da cidade conseguem boas médias no exame nacional. No ano passado, foram seis entre as dez de maior pontuação. Zaia Brandão, doutora em Educação e coordenadora do Grupo de Pesquisas em Sociologia da Educação da PUC do Rio, acredita que a cidade ainda colhe os louros por ter sido capital do País até o início da década de 60. "Como centro do poder político, o Rio atraía e concentrava recursos. Historicamente, aqui implantaram-se os primeiros e mais tradicionais colégios do País", diz. Foi graças aos tempos de sede do Império e depois da República que o Rio recebeu as mais antigas ordens religiosas. Não é à toa que os melhores colégios do Rio, de acordo com o Enem, são religiosos. "Estas ordens que vieram para a cidade tinham forte tradição no campo de ensino e da educação das elites", analisa Zaia Brandão. Por isso, elas atraem o que a educadora chama de "famílias educógenas". "É um tipo ideal de família que, além do investimento na escolarização dos filhos, acompanha de perto os estudos." Para Zaia Brandão, o Enem é um parâmetro adequado para se avaliar a qualidade de uma escola. "É um bom exame, sobretudo do ponto do domínio das habilidades, competências e conteúdos nos campos da linguagem, matemática e conhecimentos gerais", acredita. O fato de as três escolas atenderem a elite carioca é um ponto a favor em exames. "É impossível separar a origem social do desempenho escolar. Escolas consideradas boas normalmente atraem famílias educógenas." Zaia coordena pesquisas sobre a construção de qualidade de ensino nas escolas. Ficou claro para os pesquisadores as características dos professores nestas ilhas de excelência: experientes, estáveis nessas escolas e com salários acima da média.