Ricos aceitam corte ambicioso de gases

Ap e Reuters - O Estado de S.Paulo

Países concordam em lutar para reduzir emissão de 25% a 40%

Países desenvolvidos concordaram ontem, em reunião na Áustria, que precisam lutar para cortar de 25% a 40% a emissão de gases-estufa até 2020 em relação aos níveis de 1990. Esse é um passo essencial para a criação de um tratado eficiente de controle do aquecimento global posterior ao Protocolo de Kyoto, que acaba em 2012. Negociadores de 154 nações buscavam desde segunda-feira um acordo nesse campo e aplaudiram o consenso obtido. Não haveria metas obrigatórias. Datas e detalhes começarão a ser debatidos numa conferência que acontece em dezembro, em Bali. O texto de Viena transforma as conclusões científicas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) em diretrizes políticas. Elas indicam que um corte de 25% a 40% nas emissões, entre 10 e 15 anos, é necessário para evitar suas previsões mais catastróficas, como tempestades, secas e furacões mais freqüentes e intensos. Para o secretário-executivo da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas, Yvo de Boer, a reunião termina de forma positiva. Mas ele pede ações mais drásticas para que o problema seja contornado. "Essas conclusões indicam que países industrializados devem agir para mostrar liderança. Porém mais do que isso precisa ser feito pela comunidade global." O protocolo em vigor é pouco efetivo: pede uma redução da emissão de 5,2%, em relação aos índices medidos em 1990, pelos países desenvolvidos. Os Estados Unidos, maiores emissores do mundo, se recusaram a participar. Americanos e europeus defendem que países em desenvolvimento também aceitem metas de corte de emissões, especialmente Índia e China - que está prestes a passar os EUA como campeões de emissão de gases-estufa. Ambos recusam um acordo com metas, como outros emergentes, entre eles o Brasil.