Remédio faz tumor crescer mais devagar

Reuters - O Estado de S.Paulo

Em alguns casos, doença regrediu em roedores

Um remédio experimental desenvolvido pela empresa Takeda Pharmaceutical diminuiu o crescimento de tumores em ratos. Os resultados foram apresentados em um artigo publicado hoje pela revista científica Nature. O sucesso já motivou o início dos testes clínicos com seres humanos.O medicamento suprimiu o avanço de células tumorais de tecido pulmonar humano transplantado nas cobaias. Teresa Soucy, uma das principais responsáveis pelo estudo, disse que sua equipe já testou o medicamento em outros tipos de cânceres transplantados nos ratos. "Observamos sempre, no mínimo, inibição do desenvolvimento tumoral e, em alguns casos, regressão", afirmou Teresa.O MLN4924, nome provisório para o medicamento, interfere no funcionamento da enzima ativadora da proteína NEDD8 (NAE, na sigla em inglês), que regula o metabolismo das substâncias que as células cancerosas precisam para crescer e sobreviver.A empresa já produz um fármaco similar chamado bortezomib, para cânceres sanguíneos, mas que atua sobre outra enzima que participa dos mesmos processos bioquímicos.Soucy explica que o novo princípio ativo bloqueia um estágio inicial do processo de colapso de certas proteínas. "Impedimos sua degradação. Ela causaria a replicação do DNA e a reprodução celular", disse a pesquisadora. "Bortezomib funciona da mesma forma, mas em um estágio posterior do metabolismo." Espera-se que o novo medicamento seja mais seletivo e cause menos efeitos colaterais, como os relacionados a neuropatias. "As pessoas, às vezes, sentem os dedos formigarem quando tomam bortezomib", exemplificou Soucy.A empresa está testando a nova molécula em ensaios clínicos de seres humanos com tumores sólidos e cânceres sanguíneos. Em um primeiro momento, pretende-se determinar a toxicidade do MLN4924. "O composto é muito bem tolerado nas cobaias. Agora precisamos observar nas pessoas. É possível que a eficácia clínica seja diferente. Ainda não sabemos", aponta Soucy.Em 2008, somente um remédio foi aprovado pelo FDA - agência reguladora de medicamentos e alimentos nos EUA - para tratamento de câncer. No mesmo ano, a indústria farmacêutica americana investiu R$ 143 bilhões em pesquisa. Muitas delas, para câncer.