Rede pública distribui remédio vencido em Cotia

José Maria Tomazela, SOROCABA - O Estado de S.Paulo

Polícia Civil investigará entrega de medicamento sem validade em UBS

A Polícia Civil de Cotia (35 km de São Paulo) abriu inquérito para apurar denúncia de que remédios com prazo de validade vencido estão sendo distribuídos na rede pública de saúde da cidade. Pelo menos duas pacientes atendidas na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Parque Miguel Mirizola, mantida pela prefeitura, receberam medicamentos vencidos. A dona de casa Eva Rodrigues, de 58 anos, passou por consulta médica nessa unidade no dia 13 para se tratar de um problema de pressão alta. A médica Deise Macedo Gurgel, que atendeu a paciente, receitou vários medicamentos, entre eles 30 comprimidos de digoxina, contra hipertensão. Os remédios foram retirados na farmácia da própria unidade, abastecida pela Fundação Para o Remédio Popular (Furp) da Secretaria Estadual de Saúde. Ao começar a tomar a medicação, Eva foi alertada pela filha Tânia de que o remédio estava com o prazo de validade vencido havia cinco meses. Outra filha da dona de casa, Simone Rodrigues, de 28 anos, que tinha sido atendida na mesma unidade de saúde, descobriu que desde 20 de setembro estava usando uma pomada vaginal com prazo vencido havia quase um ano. O medicamento metronizadol teve o prazo de validade esgotado em novembro de 2006. Mãe e filha disseram que, na hora, não verificaram a data na embalagem. O vereador Antonio Carlos de Sá (PT) entrou com pedido de abertura de inquérito na Delegacia da Polícia Civil. Ele alegou que a distribuição de medicamento com prazo de validade vencido representa risco à saúde da população. O remédio pode ter se tornado inócuo ou, ainda, fazer mal a quem o toma. "Pedi que sejam tomadas providências para averiguar se naquele e nos demais postos se encontram remédios com data de validade vencida." Sá acredita que os casos não são os únicos. "Isso pode estar ocorrendo de forma rotineira, o que é muito preocupante." Segundo ele, no caso de Eva, a caixa de medicamentos foi dividida com outro paciente na própria unidade de saúde. "Como a validade estava estampada na caixa que ficou com Eva, quem levou a outra metade dos comprimidos não tem como saber que estão fora do prazo." OUTRO LADO Responsável pela UBS do Parque Miguel Mirizola, a enfermeira Rosemeire de Paulo disse que periodicamente é feita a revisão dos prazos dos medicamentos. Ela informou que está há três anos na unidade e nunca houve problema com a validade dos remédios distribuídos à população. "Estamos averiguando esses casos e vamos tomar providências." Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde considerou "impossível" a entrega de medicamento vencido, pois os prazos de validade são controlados e os remédios com menor prazo são colocados na frente para uso mais rápido. Ainda segundo a secretaria, as pacientes serão procuradas para solucionar "eventual problema". A Secretaria Estadual de Saúde, que repassa os medicamentos da Furp, informou que a fiscalização dos prazos de validade compete à Vigilância Sanitária do município. A fundação não repassa remédios com menos de seis meses de validade. Para Cotia, foram enviadas 22 caixas de digoxina em setembro deste ano e 18 caixas de metronizadol um mês antes.